Crítica: O Espetacular Homem Aranha 2: A Ameaça de Electro


Quando anunciado Reboot de uma franquia em tão pouco tempo muitos não gostaram, afinal, o primeiro Homem-Aranha não tinha nem 10 anos quando isso foi divulgado. Depois de muitos pormenores e muito MIMIMI finalmente "O Espetacular Homem Aranha" chegou aos cinemas. O diretor Marc Webb sob muita pressão de todos os lados entregou um trabalho decente, mas incompleto e que só fez com que todos lembrassem o quanto a versão anterior era superior, isso era  irônico sendo que o próprio nome jogava para todos os lados o quão "espetacular" queria ser.

Dois anos depois Webb, unido com os roteiristas Alex Kurtzman, Roberto Orci  e Jeff Pinkner, chega com um filme que, em sua maior parte, corrige os erros do original. A impressão deixada é que Webb se auto atrapalhou no período de edição do primeiro filme e saiu cortando tudo que poderia ser explicado em continuações. Um exemplo grande disso foi a história "não contada" que tanto prometiam na divulgação do primeiro; a morte de Mary e Richard Parker. Se a história parece ter tido um bom timing vindo agora no segundo ela só enfatizou o quão desnecessário foi ele ter focado tanto no assunto ainda primeiro. 


O maior acerto do primeiro filme foi seu elenco e principalmente Andrew Garfield como o Peter Parker. Em pouco tempo o personagem perdeu várias pessoas que gostava e ainda sofre com a culpa de não ter mantido a promessa feita ao pai da sua namorada em leito de morte. É curioso ver como é libertador pra ele ser o homem aranha, o uniforme faz ele se transformar em outra pessoa, sem medos, piadista. O alter ego do personagem se tornou um tipo de droga, uma fuga de todos os problemas de quem ele é realmente e o que ele não é. A questão é que essa fuga faz com que ele acabe descontando no seu eu humano, o que afeta seu relacionamento com Gwen, que deixa claro amar mais o Peter que o herói e ao mesmo deixando claro o quão acha importante que ele seja. 

Emma Stone é encantadora como Gwen e a química dela com Garfield (vinda com ajuda do romance do casal na vida real) é um ponto forte do filme, principalmente pelo fato de que a vida parece estar afastando os dois quando a mesma recebe convite para ir estudar na Inglaterra. A outra mulher na vida do protagonista é Tia May, que recebe seus momentos e um desenvolvimento muito maior que Raimi pensou em fazer com a personagem na trilogia original. Sally Field continua subutilizada é claro, mas ao menos Webb a aproveitou tanto no desenrolar da trama quanto no desenvolvimento pessoal de Peter.

O filme tem uma sobrecarga (esse trocadilho soo melhor na minha mente) de vilões, só que diferente de Homem Aranha 3 são muito mais bem construídos com a trama. A verdade é que só são 2 vilões que podem ser levados a sério, o resto são tão "sub" que acabam sendo apenas para mostrar o dia a dia do aranha sem usar bandidos quaisquer como já foi feito diversas vezes, inclusive no primeiro filme, a diferença é que talvez os vejamos no futuro com mais destaque. Agora preciso falar de Electro que foi quem ganhou seu nome no subtítulo, o que não foi exatamente a melhor decisão do mundo, mas da para viver com. 

A origem clichê do personagem, com direito a enguias geneticamente modificadas, não é exatamente legal e se você achou meu trocadilho anterior forçado é que não viu ainda o que ele faz durante todo o filme. O personagem é totalmente esquizofrênico e essa é a única coisa que não torna ele o pior vilão já escrito pra um filme de super herói desde o charada (Jim Carrey traumatizando pessoas até hoje naquele filme). O visual dele também é bem mal elaborado e em poucos momentos parece ameaçar, mesmo quando a produção apela para transformar ele numa cabeça gigante de energia refletida pelos prédios de nova york.

Enquanto isso o outro vilão, que realmente ameaça até sem estar trajado como um, é o personagem de Dane Dehan, que entrega um Harry Osborn que daria orgulho ao duende verde de William Dafoe (chora Franco). A introdução de um personagem conhecido até dos leigos a esse ponto não foi tão boa, mas a má introdução acaba sendo compensada por um desenvolvimento excepcional e muito crível quando vemos o "novo" motivo para Harry odiar o Aranha. Suas motivações e até sua antiga  amizade de infância com Peter também acaba ajudando num ponto de virada do filme.

A trilha sonora para mim foi um caso a a parte. Hans Zimmer compôs um personagem próprio ao fazer um trabalho totalmente interativo com Webb, junto com ajuda do cantor e compósitor Pharrel Williams. O tema de Electro nos impede de esquecer da esquizofrenia do personagem com diversas vozes cochichando e crescendo até vermos o quão perdido é perturbado o vilão está, o que cansa a certo ponto e em outros é ideal. Zimmer também se aproveita bastante da trilha do primeiro filme a tornando mais "espetacular" e sinceramente isso foi um alívio para mim já que o compositor andava totalmente sem personalidade com temas que, mesmo épicos não tinham personalidade. Nem tudo são flores e Webb errou a mão em algumas escolhas musicais duvidosas que parecem ter sido jogadas no filme sem nem terem sido ouvidas.

O estilo visual desse filme provavelmente foi definido após o sucesso de vingadores. As cores vivas, que poderiam ter saído de um quadrinhos, fizeram bem ao personagem tal quão o clima dado a Nova York que parece muito mais quente que no primeiro filme, ou em qualquer outro homem aranha. O diretor de fotografia Daniel Mindel jogou fora todo o trabalho feito por John Schwartzman no primeiro filme, o que foi um alívio, e nos entregou um mundo inteiramente novo dentro de uma nova york que já tinha sido usado a exaustão.

Os efeitos visuais continuam na mesma qualidade do primeiro filme, isso não é exatamente um elogio só que dessa vez se encarregam de dar novidades pro próprio Homem Aranha e mostram coisas como o  "sentido aranha" de forma que nunca foi mostrado, abusando do Slow Motion. O exagero não chega a ser digno do Snyder, porém incomoda em alguns momentos. A qualidade geral em alguns momentos não parecem ser tão boas quanto poderiam e talvez se tornem datadas mais rápidos do que eu possa imaginar. Webb se tornou meio megalomaníaco e se comparado com ele quis apelar para o impossível. 

O clímax é o ponto alto do filme, mas espera aí... Qual deles? Outra coisa que o filme exagerou foi em fazer um inception de Climaxes que não favoreceu em nada a história. Inconsistência e erro de continuidade podem ser vistos por tal descontrole e "grandiosidade" misturada com histórias paralelas que felizmente não tornam o ato final menos espetacular do que é. O esforço para tornar esse filme "espetacular" atingem, no seu (e nosso) limite, as expectativas e, talvez, Webb tenha repetido o seu maior erro ao deixar para os últimos minutos uma abertura para sequência, deixando o público mais uma vez tendo que esperar dois anos para não saber para onde isso tudo vai. Ao menos dessa vez ao sair do cinema a espera deve ser recompensada pelo bom filme que é.

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