Crítica | X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido


Um dos filmes mais aguardados do ano finalmente está para estrear. “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido”, mostra a junção dos personagens que ganharam vida na trilogia inicial, que adaptou os clássicos quadrinhos para o cinema pela primeira vez (X-Men, X-Men 2 e X-Men: O Confronto Final), com eles mesmos do filme prelúdio, (X-Men: Primeira Classe). Resumindo, o filme é quase um Crossover.
E quando falamos em Crossover, temos que levar em conta que além desse módulo (que está em alta há um tempo), ter a necessidade de manter uma boa história, com coerência, e que prenda e satisfaça seu público, a ideia principal tem que ser bem executada.
Não que o novo X-Men não tenha uma boa história, com potencial. Mas é tudo muito enfadonho, massivo, executado de forma medonha. A impressão, é que o filme anda em círculos do início até seu clímax, sem chegar a um ponto, uma moral, uma conseqüência. Priorizando acontecimentos que na verdade não mereciam ter a atenção que tiveram, e esquecendo alguns aspectos clássicos, que durante anos sustentaram a franquia, e se tornaram sua base, seu ícone, mas que foram descartados com um descaso lamentável.

Foi tudo tão esperado, que já dava para adivinhar (ao menos uma boa parte) o final do filme, em pouco mais de vinte minutos. E a direção de Bryan Singer (chata, normal, convencional ao extremo) tornou o filme tão previsível, que mesmo as cenas de ação, onde os personagens entravam em perigo extremo, não resultaram em uma apreensão por eles. Por mais que haja aquele estereótipo de que "mocinho" não morre, não é normal ver um personagem importante em perigo, em pleno clímax, e não sentir medo dele sofrer alguma coisa... ou é? De qualquer forma, não estou acostumado com o sentimento. Gosto de apatia, e "Dias de um Futuro Esquecido" não causou tanta assim no público.
O filme peca nesse aspecto quando mostra outras fatalidades, mais graves, com personagens legendários da trilogia inicial, sendo tratados com tanta banalidade, e cenas tão mal aproveitadas, que é revoltante.

Mas o longa, apesar de tudo, tem seus bons momentos. Enquanto alguns questionavam a validade da grande divulgação em torno da personagem Mística, ficarão surpreendidos ao saber que, como esperado, a história desse novo volume acontece por causa dela (não o filme, a história). 
Mas, digamos que, sem spoiler, ela não tem tanta presença em tela quanto a divulgação fez parecer que teria. Jennifer Lawrence foi usada como marketing por sua grandiosa e rápida ascensão em Hollywood (não culpo a FOX, foi uma ótima jogada), mas aparece na medida certa, e fazendo um bom trabalho, como sempre, no papel de Mística. A personagem é muito mais explorada nesse volume que nos anteriores, e acredito que até mesmo nas HQs, mas a presença não incomoda. A atuação de Lawrence satisfaz, embora já tenha feito trabalhos superiores a esse.

Quem também surpreende é Evan Peters, no papel de Mercúrio. As sequências que o ator participa, embora não tenham muita importância (e o personagem tenha sido uma das vítimas da edição porca que o filme teve), foram bem legais de se assistir. Um alívio cômico muito bem-vindo, junto com o carisma enorme que o ator tem, que, infelizmente, poderia ter sido aproveitado de forma melhor, como tantas outras coisas no longa.
Wolverine fica com o destaque mais uma vez, sendo o responsável pela condução do filme. Gosto dele, particularmente. Acho-o um bom anti-herói, à altura e capacitado para ser o interlocutor da franquia. A atuação de Hugh Jackman continua na mesma, não apresenta grande evolução, mas também nunca foi ruim. Dentre todos os que tiveram mais espaço, James McAvoy na pele do jovem Charles Xavier faz muito bem, e Ian McKellen, interpretando o Magneto do futuro, mesmo com a pouca presença que teve, também mostra que se firma dentre os melhores nomes que a franquia já teve, e algum dia terá.

A trilha sonora do filme é excelente, um dos pontos altos do longa. Ela foi, para mim, a maior responsável pela aceitação do público pelo filme. Emociona e empolga muito mais que a direção de Bryan Singer, os efeitos (que continuam na mesma linha, sem serem ruim, mas não tão espetaculares), e a atuação do elenco. Cada nota, cada segundo do instrumental é bem conduzido e adicionado.

Dentre alguns defeitos, o que mais se destaca, talvez, seja a edição do filme, que beira a ofensa. Erros grotescos de continuidade aparecem aqui e ali, deixando lacunas óbvias na história, transições de cenas um tanto quanto bizarras, acontecimentos que parecem enormes naquele segundo, mas são totalmente esquecidos dentro da história que o roteiro criou tentando "quebrar" a cabeça do público (no sentido complexo e benfeito da analogia), mas que, na verdade, se tornou um grande clichê, e que a única coisa que quebra é a expectativa. Mas, apesar de tudo, considero normal haver confusões no roteiro de filmes que mexem com viagem no tempo. Com algumas exceções (duas, ou três entre todos os longas que assisti com o tema), quase nenhum escapa. Mas não passam desapercebidos, e não deixam de chatear o público. 

Enfim, o filme não é de todo ruim. Só é bem abaixo do que X-Men se mostrou no filme anterior. Tudo, em todos os aspectos, desde a direção de arte, até os mais altos acabamentos, como edição, e trilha sonora, é inferior a "Primeira Classe". A direção, então, parece feita por um estagiário (que eu sei muito bem que o diretor deste não é).
Ao menos, a cena pós-créditos empolga, e nos faz querer conferir o seguinte, Apocalypse. O que me deixa com o pé atrás, relutante, e desesperançoso quanto a qualidade do futuro da saga, é ver que o cargo da direção está, novamente, com Bryan Singer.

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Comparecemos a Coletiva de Imprensa do filme, que aconteceu ontem, em São Paulo, com a presença de James McAvoy, e Patrick Stewart, os Charles Xavier's do novo filme. Você pode conferir as fotos do evento AQUI, e um vídeo de McAvoy mandando um "Hello!", para o Estante Nerd, abaixo:

Yuri Hollanda

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