Crítica | A Culpa é das Estrelas

Como a maioria já sabe, o filme conta a trajetória de Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley, encantadora), uma adolescente em fase terminal de câncer, que se mantém estável por um milagre inexplicável, segue sua vida esperando a morte chegar, até que em um grupo de apoio para portadores de câncer ela conhece Augustus Waters (Ansel Elgort), que vem a ser o amor da sua vida. No momento que ela não tinha mais a menor vontade de continuar nessa luta diária por mais um dia, sobrevivendo ao invés de viver, a vida lhe trás uma razão para continuar vivendo, para lhe tirar de uma rotina que estava lhe consumindo tanto quanto o câncer. E ela e Gus vivem no pouco tempo que a vida lhes dá uma pequena, porém enorme, eternidade.

Antes de mais nada, acho importante ressaltar que eu não sou uma fã cega do livro homônimo que inspirou o filme. Acho um livro simples, leve, escrita razoável. Bem longe de ser essa obra prima que tantos gostam de proclamar. É apenas... OKAY (sem trocadilhos). 

Mas enfim, falemos do longa. Sabe aqueles raros momentos que um filme simplesmente supera em todos os sentidos o livro que o originou? Bem, é esse o caso. Primeiramente, demos os devidos créditos ao elenco, que está muito bom, principalmente o casal principal, Hazel e Gus (Shailene Woodley e Ansel Elgort, respectivamente), ambos têm uma química sensacional, e atuam muito bem. Vou falar um pouco mais sobre isso depois.

Um dos pontos altos do filme é como o relacionamento deles foi muito bem desenvolvido, mesmo que tenha sido fiel ao livro, mas me pareceu bem mais real e convincente na tela do que nas páginas, o amor deles é muito mais palpável, mais emocionante, talvez pelos olhares, tudo simplesmente ficou mais crível.

A trilha sonora é um show a parte, é bem jovial como já se esperava, mas ela dá um toque tão profundo na trama, é exatamente o tipo de música que se esperava que Hazel Grace curtiria, foi feito pra ela e pro seu Gus. É tudo no momento certo, no tom certo, desperta exatamente o que quer despertar; aquela sensação de perda, e ao mesmo tempo de que a vida merece ser vivida, ainda mais com eminência de que ela está com um prazo tão contado para acabar.

O ponto alto do filme, SEM DÚVIDA, e nesse momento preciso puxar sardinha para a Shailene Woodley, é quando ela faz o discurso fúnebre para o Gus na igreja. Aquele discurso que no livro já foi de dilacerar o coração de qualquer um, no filme teve o adicional da incrível atuação da Shailene, ela tem uma suavidade no olhar - uma cor indefinida entre o castanho e o verde - ao mesmo tempo que é muito doce, é extremamente forte, e aos poucos, enquanto ela vai falando sem desviar o olhar dele, lágrimas tão, tão sinceras começam a surgir, e não tem como não se perder naquela cena, simplesmente não existe um meio de não parar pra pensar em como deve ser horrível, devastador, aterrorizante perder o amor da sua vida, sem nem ter tido ainda a oportunidade de vivê-lo, ter que contentar com o pequeno infinito que lhe foi dado, aceitar aquele tempo mínimo que a vida lhe concedeu, e fazer disso a maior de todos os "para sempres". Afinal, alguns infinitos são maiores que outros.

O filme é comovente, bonito, bem contado, sem clichés baratos, exceto aqueles que realmente estavam no livro e não dava para eliminar, mas diferente do livro, o Gus não parecer forçado demais para ser perfeito, e a Hazel não parece forçada demais para ser sarcástica, eles estão no lugar certo, no tom certo. Um ótimo filme para os românticos ou para quem gosta de chorar.  


Lara Gutierrez

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