Crítica | Veep - 3ª Temporada



Ser uma série da HBO é quase um sinônimo de qualidade. Com exceção de alguns shows (pouquíssimos, e que na maioria das vezes agregam opiniões extremamente subjetivas) o canal sempre manteve um altíssimo nível de produção, roteiro e atuações recordes de EMMYs e Globos de Ouro. Quem nunca escapou dessa quantidade de tópicos e aspectos grandiosos foi “Veep” que, embora bastante desconhecida, se mantém renovada pelo canal e trás com 10 episódios por temporada, há três anos, uma leva de humor negro bastante controlada, arrojada e inteligentíssima.

Nesse terceiro ano a produção trás uma jornada rumo à presidência dos Estados Unidos e resolveu superar a si mesmo em todos os aspectos possíveis, nos quais já era ótima.
Veep nunca foi uma série com o tipo de humor ao qual a televisão norte-americana está acostumada, ainda por cima trazendo um tema político, onde sempre é tratado com uma certa seriedade. Não é surpresa alguma que tenha sido HBO a primeiro a inovar e desmembrar o tema em forma de comédia. E deu muito certo.

Com a atuação soberba e destruidora de Julia Louis-Dreyfus no carro chefe como a Vice-Presidenta dos Estados Unidos, atrapalhada e totalmente dependente, Selina Meyer, o show ultrapassou certos limites que já tinha experimentado, trouxe piadas excelentes, e episódios com trinta minutos de extremo cuidado e preparo.

É difícil discernir e selecionar um ou dois melhores episódios nessa temporada: “Some New Begginings”, “Alicia”, “Debate”, “Crate”. Todos esses estão num nível altíssimo, e chega a ser covardia pedir para escolher um só. Na premiere da temporada, tivemos um episódio corrido, com diálogos rápidos e geniais, e para a cereja do bolo a queda icônica e hilária de Selina (quem não gargalhou?).

Em “Alicia”, talvez o meu favorito, tivemos trinta minutos de uma situação delicadíssima e, mais uma vez, hilária na qual Selina e sua trupe se metem. O episódio é um dos que contém a maior quantidade de humor negro da série, e arrisca em piadas de cunho racista, social, e várias outras polêmicas. Talvez tenha ofendido um telespectador ali e outro aqui (o que não seria a primeira vez que a série teria feito isso), mas cá entre nós, foi um dos melhores.

Em “Debate” choramos de rir com o evento que dá nome ao episódio. Foi a discussão política mais louca que a televisão já mostrou, seja fictícia ou não. Quem não quase entrou em colapso com o tique da Selina? Em “Crate”, quem gargalhou foi a Vice e o Gary, e nós gargalhamos juntos. A notícia da futura presidência (que já era prometida lá na 2ª temporada) abalou as estruturas dos personagens e dos telespectadores, e fez com que o penúltimo episódio da temporada tenha se firmado entre um dos melhores da série, e arrisco a dizer, melhor que a própria finale.

E eu sei que sendo redator, é quase necessário ressaltar alguns pontos negativos na temporada. Mas é que Veep me complica. Talvez se o texto fosse sobre a temporada passada, seria mais fácil arranjar (à força), uma crítica aqui e outra ali. Mas essa terceira temporada foi tão maravilhosamente conduzida que fica difícil, até mesmo desconfortável, apontar defeitos. É injusto, soa errado. 

Desde sua estréia, Veep me conquistou. E digo, sem dó ou sentimento de injustiça, que ela talvez seja a melhor comédia da televisão atual. O carro chefe, Louis-Dreyfus, é estupenda, assim como os coadjuvantes, compondo um time único que reina na comédia de qualidade, tão escassa da HBO, e até na TV.
Resta-nos apenas esperar para a 4ª temporada, que já está confirmada, e torcer para que a série continue crescendo. Não continuar no mesmo nível. Crescer! Porque é isso que Veep tem feito até hoje. Melhorando o que já era melhor.



Yuri Hollanda

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