Crítica | Planeta dos Macacos: O Confronto


Há um tempo, filmes que agregam uma grande quantidade de efeitos especiais pecam quando o assunto se torna seu roteiro. Parece que se criou um nebuloso e errôneo bloqueio na mente dos escritores de Hollywood, e quando os efeitos especiais são muitos, necessariamente a história tende a ser ruim.
O primeiro filme da franquia reboot “Planeta dos Macacos” foi um dos poucos que inovaram nesse aspecto. Além de ter efeitos especiais alucinantes e, por muitos, considerados um dos melhores vistos no cinema, o filme honrou seus títulos anteriores e continuou o legado de qualidade da ousada saga com um roteiro trincado, e ótimo de se acompanhar. O segundo não perde em nenhum desses tópicos.


Um aspecto muito prezado, mas que muitas vezes não atende as necessidades do público, é o tempo do filme. Raramente um longa consegue explorar tudo o que ele queria sem deixar informações faltando, ter cenas alucinantes, dentro de sua proposta, onde elas contenham o tempo certo em tela.
Planeta dos Macacos: O Confronto consegue fazer isso com maestria, entretendo seu público com uma história sucinta e que preenche todas as expectativas. É aquele filme que você sai, digamos, “saciado”.

É, relativamente, uma história fácil, quase batida. Duas legiões brigando entre si, em uma batalha que é iminente. No caso, é o confronto entre duas raças, que, outrora, seguindo teorias cientificas, foram somente uma: Macacos e Humanos.
Nessa continuação, com os lados da batalha entre humanos e primatas já bastante delimitados, e uma história muito mais evoluída e concentrada em somente um plot, mostrando desde o início a sua proposta, a franquia mostra que tem tudo para continuar seguindo em frente e nos proporcionando mais filmes como este... E é claro, temos o bônus dos efeitos especiais que, surpreendentemente, conseguiram evoluir.

A grande diferença do filme é que o personagem principal, o macaco Cesar, que acompanhamos a evolução e sua emocionante história na trilha em direção ao ódio pelos humanos (raça pela qual ele foi criado), é de uma realidade inacreditável. Quase todo o mérito vai para Andy Serkins, em uma atuação fantástica, atingindo limites assustadores. Obviamente, uma pequena, mas significativa, parte dos elogios devem-se a equipe de efeitos especiais que deixaram a atuação do ator, especializado nesse tipo de filmagem, inteira e sem alterações.
Conseguimos sentir a dor e a crueldade que Cesar passou desde a sua criação, e sua difícil luta pela sobrevivência, assim como podemos sentir a dor de todos os primatas que foram nos apresentados. São todos extremamente reais, e empáticos. Os humanos estão em segundo plano, chegando a ser estereotipados, e odiados entre si, percebendo o que se tornaram, percebendo que a evolução, muitas vezes, resulta no contrário do seu verdadeiro intuito.

Interessante notar que até nos bastidores da produção, os humanos se tornam inferiores aos primatas. A atuação do elenco que cuida dessa parte não chega aos pés do elenco que deu vida aos macacos, e o filme perde muito nesse quesito. Sem James Franco, o carisma de parte do núcleo da amada franquia se perde. Na verdade é difícil até lembrar uma parcela significativa do que eles fazem pela produção. Como disse, os holofotes são todos nos inacreditavelmente computadorizados primatas.

Todo conduzido com um timing perfeito, efeitos especiais dignos de sua história, e cenas de batalha e história alucinantes. Até a trilha sonora, muitas vezes ignorada em filmes como esse, resultando em algo "mais do mesmo", foi incrível: Aparecendo na hora certa, e tornando toda a história mais emocionante do que ela já é.
Finalmente, "O Confronto" é espetacular. Cada momento do filme vale a pena, e a mensagem que perdura durante todo o filme, até mesmo depois do seu término, é linda e nos faz pensar no futuro tempestuoso e obscuro dos homo sapiens.

Yuri Hollanda

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