Crítica | No Olho do Tornado



Quando "No Olho do Tornado" foi anunciado, logo assemelhei o filme ao clássico "Twister" dirigido por Jan de Bont, e estrelado pela icônica Helen Hunt. A divulgação é bem parecida. Até mesmo os materiais promocionais, como o poster final do mais recente, se parecem.
Vendo o filme, percebi que não era somente impressão: "No Olho do Tornado" é quase um remake de "Twister", tirando vantagem, somente, de sua época com uma enorme vastidade tecnológica para que os efeitos especiais fossem obviamente melhores, e resultassem em ótimas cenas de ação, visualmente bonitas. Mas o filme só agrega esse lado bom: um ótimo entretenimento, rico tecnicamente, mas extremamente pobre em outros aspectos cinematográficos que poderiam, facilmente, serem melhores aproveitados.

Os trinta minutos iniciais são torturantes: aqueles malditos clichês de filmes apocalípticos, onde os personagens tendem a ser piegas, aparecem aqui como um prólogo para a mensagem final do filme, deixando tudo extremamente previsível. Do início ao fim, "No Olho do Tornado" não passou de um filme que o telespectador assiste sabendo exatamente quem irá morrer, quem irá viver no final do caos, e a encheção de saco de alguns plots, como o do filho mais velho da família (que encontra-se separada, e com conflitos internos) em perigo, com a garota do colegial que ele ama há anos. Ou então o irmão mais novo que vive implicando com o mais velho, e que no final de tudo, percebem que "família é o mais importante"

Não contestando a mensagem, mas para o cinema atual, isso deveria ser tratado com um índice "um pouco" menor de clichê. A característica melosa, piegas e extremamente artificial já fica estampada nos primeiros minutos, e tornam o filme maçante a níveis absurdos.
Pra piorar um pouquinho mais, o roteiro resolve desviar a atenção do telespectador na tentativa frustrada de querer colocar um humor que não se encaixa no gênero, logo no início. Mas é um humor tão barato, que chega a ofender...

Isso tudo ainda piora quando vemos que os personagens não tem embalsamento nenhum. Nenhum aprofundamento, nenhum que você se apegue, ou que tenha um pingo de empatia. São aqueles clichês familiares, com o pai viúvo ocupado demais para a família, e dois irmãos completamente diferentes em suas personalidades, que vivem às brigas.
Normalmente, filmes como esse tendem a nos fazer ter dó e desespero conforme a situação dos personagens. Um ótimo exemplo disso é "O Impossível", filme que retrata a história real de uma família que é surpreendida com um terrível tsunami, e que faz o telespectador ter a impressão de que engoliu água junto com os personagens. Mas "No Olho do Tornado" passa a impressão de se importar, somente, com cenas de ação impactantes e bem feitas, (são, realmente), mas que não sustentam o filme depois da primeira sequência. As duas horas seguintes parecem uma eterna repetição de cenas que o filme já mostrou.

Senti um leve desespero por parte da equipe da obra, ao verem que um filme sobre tornado, de duas horas, não iria se sustentar muito bem, ao resolverem inserir TRÊS tornados numa sequência só, numa tentativa frustrada de assustar o telespectador (um acontecimento tão fisicamente impossível que parece ser tratado de forma banal até pelos personagens EM PERIGO). Logo em seguida, um tornado descomunal é inserido como clímax final do filme, que ao aparecer é visualmente interessante, mas que tem um desempenho horrendo para o roteiro. E não sei ao certo se isso é realmente um spoiler, porque o filme é tão estupidamente previsível, mas o enorme tornado final desaparece tão rapidamente, e a cidade se reconstrói tão facilmente, e o psicológico dos personagens é estabilizado tão banalmente, que chega a ser risível.

Obviamente, o filme não soube lidar com a enorme possibilidade que encontrava em seu roteiro, e a direção resolveu focar na parcela menor e mais desinteressante de um filme como esse: barulho, confusão, caos, ação e efeitos. É só isso que a gente vê na maioria dos filmes apocalípticos, e a coragem de trazer um filme assim com foco em um fenômeno natural é admirável, mas poucos sabem lidar.
Confesso que não foi uma surpresa... talvez o a crítica esteja tão machucada com filmes assim, que já é previsto o que ele será só pelo trailer. Mas sempre resta um pouquinho de esperança, que infelizmente nunca é suprida. "No Olho do Tornado" é mais um filme que vai pra Sessão da Tarde daqui há uns aninhos, e vai divertir o público com suas cenas de ação, e seus tornados exagerados e irreais. Mas não ficará na lembrança do público por muito tempo. E se ficar, não será por uma boa razão.

Yuri Hollanda

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