Review | Doctor Who - Deep Breath (S08E01)

Sinopse:
Quando o recém-regenerado Doutor chega na Londres vitoriana, ele se depara com um dinossauro andando pelo Tâmisa e uma série de mortes por combustão espontânea. Durante a investigação dessas mortes, Clara tem que lidar com o novo Doutor e se perguntar se ela ainda pode confiar nele.

Depois de tanta espera, a 8ª temporada de Doctor Who finalmente faz sua estreia, trazendo consigo não só um novo Doctor ou uma nova abertura; mas também uma nova era para a série.

As mudanças são visíveis logo de cara, começando pelo ritmo que a história segue.
Por ser um episódio pós-regeneração, era de se esperar que Deep Breath fosse focado apenas em apresentar o novo Doctor para o público. Mas não! ele consegue ir além; explorando não só a nova personalidade do Time Lord, como também a relação de todos que estão a sua volta. Até mesmo o relacionamento de Madame Vastra e Jenny tem um lugar na tela - o que acrescentou e muito para as personagens que, até então, tinham carisma nenhum.

Os diálogos também tiveram muito mais força aqui, e influenciaram bastante para que o episódio tivesse esse "tom" diferente. Dá pra ver que Steven Moffat esta tentando uma abordagem nova pra série, resolvendo usar no roteiro o seu ponto forte e substituindo a correria desenfreada das temporadas anteriores, pelas longas discussões entre os personagens. Discussões essas, cheias de metáforas, e que proporcionaram alguns dos melhores momentos do episódio.
O que dizer sobre a conversa entre Clara e Vastra logo no inicio do episódio e toda aquela analogia do véu e aceitação? É correto dizer que Clara representou grande parte do público aqui, e ainda mandou recado pra outra parte (quer dizer, ela fez isso em praticamento todo episódio), ao deixar bem claro que não é porque o Doctor estava velho que ela ia abandoná-lo, que suas motivações para viajar com ele não se baseiam na aparência. 

A direção de Ben Wheatley (Kill list) também fez bastante diferença e combinou perfeitamente com a temática do episódio, deixando o clima um pouco mais "maduro" do que o normal - o que a primeira vista foi um tanto estranho de se ver, já que não é algo muito comum na série. Quão agoniante foi a sequência em que Clara tem atravessar os corredores prendendo a respiração? Aquilo foi claustrofóbico! Já dá pra dizer que "Hold your Breath" é o novo "Don't Blink".

A relação do Doctor e Clara.

O mais importante do episódio foi, obviamente, Peter Capaldi. É difícil não se simpatizar com seu Doctor logo de cara, e o jeito como ele conduz o personagem é incrível. Sua cena com o mendigo (viúvo de Elisabeth Sladen, a Sarah Jane) é brilhante, e a forma como ele vai "se descobrindo" mais ainda.
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No decorrer do episódio ainda podemos ver o quanto ele se diferencia do seu antecessor. O que acaba causando um certo receio em Clara, que não consegue lidar com esse novo homem da mesma forma que ela lidava com o 11th. Ele também não facilita quanto a isso, e se mostra descontrolado, manipulador e capaz de fazer o que for para obter o que quer, sem sentir remorso ou culpa. Ao deixar Clara a mercê do Ciborgue, ele mostra bem isso.

Então quando a "control freak" se vê em uma situação que não consegue controlar, é mais do que compreensível agir do jeito que ela agiu. Sim, ela foi a companion que mais teve contatos as outras regenerações, mas isso não significa que ela não deveria ficar abalada com a mudança. O 11th era o Doctor DELA! O seu melhor amigo! Foi com ele que ela viajou, era nele que ela confiava. Só que uma vez que ele se regenera, tudo muda! principalmente sua personalidade. É normal que ela tenha ficado com o pé atrás. Afinal, como ela vai saber se pode confiar nesse novo rosto? É certo dizer que ela também representou o público aqui.

Esse conflito interno que ela enfrenta é basicamente o tema principal do episódio, e a forma que é explorado deixa a personagem bem mais crível. Além de que, essa frustração deixa sua interação com o Doctor muito mais interessante, e gera algumas das cenas mais divertidas do episódio, como a discussão dos dois no restaurante. A química entre Capaldi e Jenna também é responsável por isso, e se continuar assim, essa promete ser a melhor relação entre Doctor e Companion desde Donna/10th.

Doctor Who? 

Um dos momentos mais "tensos" do episódio foi o confronto final do Doctor com vilão, onde os diálogos mais uma vez tiveram seu valor. Pra começar o Time Lord deixa bem claro que, se o Ciborgue não lhe der escolha, ele não vai hesitar em matá-lo - o que já é bem atípico dele. Eles continuam a lutar até que o vilão encontra o seu fim, e o mais intrigante disso é que fica no ar se o Doctor realmente foi capaz de matar. É interessante notar que ele tem mostrado esse lado sombrio desde a 7ª temporada (Dinosaurs on a Space Ship), e que pelo visto isso tem piorado. Seria então o Valeyard finalmente dando as caras?

Ainda nessa cena o Doctor também fala: "You have replaced every piece of yourself. Mechanic or organic. Time and time again. There’s not a trace of the original you left." E se identifica com a própria fala. Pelo visto o auto questionamento dessa regeneração ainda não terminou.

Por outro lado, vemos que ao mesmo tempo que o 12th transmite esse ar sombrio, ele também transmite vulnerabilidade. E o diálogo final dele com a Clara é a prova disso. A cena mostrou o quanto ele se importa com ela, e o quanto ela não conseguir enxerga-lo o magoava. Foi bonita a forma como fizeram eles se "reconciliando", pois ele deixa claro que, apesar de estar diferente, ainda precisa dela e, como vimos na 7ª temporada, Clara não foge de algo assim. A ligação do 11th também só serviu pra completar esse argumento (apesar de eu ter achando um tanto desnecessária) 

Outra coisa que vale comentar: Esse episódio foi um fan service de dar gosto, repleto de referencias culturais e da própria série. Isso é algo que deviam repetir mais vezes, pois além de trazer uma nostalgia, a série só tem a ganhar. Foi demais a forma que Moffat reaproveitou o plot de The Girl in the Fireplace. E o design do vilão aqui também tava incrível. 
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O arco da temporada também parece ser algo completamente diferente do que estamos acostumados a ver na série. Todo esse papo de céu, "promise land", vida após morte...  Isso promete ser bem controverso. E Missy já me pareceu uma ótima adição a série, e ela deu a entender que ta controlando o Doctor?

Pelo visto essa temporada terá vários plots paralelos que se juntaram em algo importante mais tarde. Algumas perguntas já foram lançadas: Por que o Doctor tem esse rosto? Quem é Missy? Ela é a mulher da loja? E qual esse interesse no Doctor e na Clara? O que é a Terra prometida? Essa relação do Doctor e Clara vai durar?
Vamos aguardar pra ver o que o showrunner tem reservado.

Por fim foi uma ótima Premiere. O episódio conseguiu o dar aquela renovada que a série precisava e cumpriu com o seu objetivo principal, introduzindo o Doctor de Capaldi de um jeito simples mas significativo. As histórias também parecem estar evoluindo, e se o resto for a seguir o estilo desse episódio, essa temporada tem tudo para ser a melhor da série até então.

Obs 1: Strax jogando o jornal da cara da Clara HAHAHA
Obs 2:  É impressão minha ou ele ia se sacrificar pra que os Droids não matassem o resto da Gangue? isso foi um tanto "sombrio" pra uma série infantil.
Obs 3: Shipper 11th/Clara foi virar canon só depois que ele foi embora HAHAHA
Obs 5: E parece que a frase do 12th vai ser "The question is...",  muito mais interessante que Allons-y! e geronimo.
Obs 4: Nova abertura ta demais




Promo próximo episódio "Into the Dalek"

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