Review | True Blood – Love Is To Die (S07E09)


É, meus amigos. O fim chegou.

É engraçado que mesmo com a bem trabalhada última temporada de True Blood, eu não tenha me preparado para este momento e a ficha ainda não tivesse caído. A temporada final tem me entretido tanto que eu havia me esquecido justamente que esses são os momentos derradeiros dos nossos amados personagens de Bon Temps. E Love is to die serviu, acima de tudo, para lembrar isso: o fim não está próximo. O fim é agora.

Vale destacar a escrita como uma das coisas mais marcantes do penúltimo episódio de True Blood. O roteiro tratou os personagens e suas despedidas com extrema dignidade sem jamais soar piegas, como a carta de adeus de Sam. Quando Nicolle fez o ultimato, eu tive certeza de que ele escolheria ficar na cidade e deixá-la ir, mas foi só quando Sam olhou para trás, deixando seu amado bar, onde tudo começou há sete anos, que eu entendi a decisão do personagem de deixar Bon Temps para sempre. “Eu estou ganhando muito mais do que perdendo”, ele disse. Se esse realmente for o fim de Sam, julgo-o digno. Ele foi um personagem que com o tempo True Blood foi se esquecendo, mas já foi o meu favorito dentre todo o elenco durante um bom tempo.

O “quadrado” amoroso Jessica-Hoyt-Brigitte-Jason também recebeu grande destaque em Love is to die, e mostrou que uma ideia já manjada poderia ser bem trabalhada: quando Brigitte apareceu pela primeira vez, todo mundo sabia no que ia dar, mas ninguém imaginava que ela seria o instrumento para fazer com que Jason refletisse sobre a forma como lidou com as mulheres durante toda sua vida. True Blood nunca debateu esse assunto tão a fundo como aqui, Jason era apenas galinha e pronto. À primeira vista, essa questão não parece tão importante, ainda mais para o penúltimo episódio, mas acredito que ela será o divisor de águas para vermos no final um Jason diferente. A reconciliação de Hoyt e Jessica rendeu uma bela cena, onde mais uma vez pode-se destacar o roteiro, que tratou com sensibilidade adequada tanto os sentimentos de Jason quanto do casal, enquanto acontecia uma recapitulação de toda a história de um dos casais mais amados da série.

Gostaria de abrir uma brecha aqui para falar dos momentos de humor certeiros que Love is to die nos proporcionou. As cenas cômicas surgiram no momento certo, com humor sutil e serviram para nos lembrar mais uma vez como sentiremos falta de True Blood. Kristin Bauer (Pam), graças a seu ótimo trabalho, sempre se destaca nesse quesito, sem jamais parecer forçada, e sempre dando um tom perfeito para sua personagem. A cena em que ela compara Sarah Newlin com uma antiga conhecida e tem “problemas” de comunicação com os japoneses, é ótima. Outro momento cômico que merece destaque foi a cena da carta de Sam para Bellefleur. O momento era de tristeza, nostalgia e melancolia, mas o roteiro mais uma vez acertou em fazer uma rápida piada envolvendo o xerife, que também sempre fez parte dos momentos cômicos da série. Mas a cena que mais se destacou, obviamente, foi a de Eric e Ginger, hilária, digna dos nossos dois amados personagens e que teve uma explicação no mínimo plausível para acontecer.

Love is to die, por fim, foi um episódio importante por, além de outras coisas, nos dar os primeiros motivos de Bill decidir tirar a própria vida. A abertura do episódio, com o diálogo entre Bill e Sookie, com direito a tapas na cara, é incrível; e a cena em que Bill e Eric conversam é excelente, fazendo com que o discurso do suicida convença (mais um trunfo do roteiro). O contraste da luz das fadas com a escuridão dos vampiros e a sensação de liberdade que Bill quer dar a ela fazem sentido e eu mal posso esperar para ver a conversa entre ele e Sookie, para ver outros ótimos argumentos como esses justificarem a true death de Bill.

Podemos, então, ver Love is to die como um presente para os fãs da série, e que anuncia, sem muito alarde, que o fim de True Blood chegou. E ao mesmo tempo que, como fã, não quero que o fim chegue, estou tão ansioso para encontrá-lo quanto Sookie espera Bill bater à sua porta.

André de Oliveira

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