Crítica | BoJack Horseman - 1ª Temporada


Humanos, animais, comédia e drama em Hollywoo


Não, você não leu errado. Em BoJack Horseman, a nova série e animação original da Netflix, é esse tipo de liberdade criativa que vemos presente: a que transforma Hollywood em Hollywoo por conta de um “roubo” da letra D do famoso letreiro.
BoJack é um astro de tv decadente, que fez muito sucesso em sua juventude como protagonista da comédia Horsin’ Around, e hoje vive uma vida desregrada, melancólica e desinteressante. O metade-homem/metade-cavalo decide, então, contratar uma escritora fantasma para escrever um livro com suas memórias, numa tentativa desesperada de voltar aos holofotes.

Dividindo a tela com personagens muito bem bolados e genuinamente cômicos, BoJack Horseman nos insere em um universo onde animais e humanos convivem normalmente – inclusive sexualmente –, tratando isso da forma mais normal e criativa possível. Os animais vivem como humanos, mas continuam sendo animais. Princess Carolyn, agente de BoJack e gata persa, mexe com um rato de brinquedo enquanto discute com clientes ao telefone; Mr. Peanutbutter, ator e labrador, perde o foco de uma conversa quando uma campainha toca; BoJack relincha enquanto tem orgasmos. A forma com que a série trata sua mitologia é incrivelmente original e muitíssimo bem trabalhada.

O piloto me fez duvidar um pouco do potencial da série, mas logo no segundo episódio – na minha opinião, o melhor da temporada – BoJack, seu universo, seus personagens e seu roteiro simplesmente me fisgaram. BoJack pode parecer um protagonista detestável à primeira vista, e pode até ser para alguns, mas ele representa a fragilidade e a solidão existente no fundo de qualquer um de nós, além de ser também um fiel retrato de muitos artistas da Hollywood da vida real. A leva de codajuvantes da animação também é incrivelmente simpática e hilária: Princess Carolyn e Mr. Peanutbutter merecem destaque como os melhores personagens secundários, seguidos por Todd e outros pequenos personagens (que deveriam ter mais tempo em tela, por favor!) como Lennie, a tartaruga diretora de filmes e Pinky Penguin, um pinguim dono de uma editora de livros à beira da falência.

Um dos melhores aspectos de BoJack, e que merece muito destaque, é sua dublagem original. Todo o elenco está impecável e inspirado, principalmente Will Arnett, Amy Sedaris, Aaron Paul e Paul F. Tompkins, que fizeram o dever de casa e dublaram com excelência seus personagens, que muitas vezes nem tinham falas engraçadas e eu ria mesmo assim, graças aos ótimos trabalhos de voz e timing.

BoJack Horseman é cheia de referências pop (alô, Andrew Garfield e Naomi Watts!), piadas escatológicas e ótimo desenvolvimento de personagens, motivações e personalidades. Além disso, tem um roteiro tão bom que é capaz de criar momentos cômicos e dramáticos com a mesma qualidade e facilidade (sim, temos momentos dramáticos!).

Mesmo que você não seja fã de animações adultas, dê uma chance para BoJack Horseman. Além de extremamente engraçada, bem pensada e muito bem escrita, é uma série que faz com que você simpatize com os personagens rapidamente – em apenas 12 episódios eu já estava completamente apegado a eles – e só te dá vontade de querer vê-los mais e mais. Até a segunda temporada, BoJack, mal posso esperar para vê-lo novamente!

André de Oliveira

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