Crítica | Livrai-nos do Mal

"Uma decepção dos diabos"

Livrai-nos do Mal chega com a difícil missão de não criar comparações com o último filme de possessão do diretor Scott Derrickson, o famoso (e prestigiado, por que não?) O Exorcismo de Emily Rose.
Nesta história também baseada em fatos reais, Derrickson opta por um contexto diferente de Rose, com o intuito de aparentar novidade. Troca o tribunal por uma delegacia do Bronx, a fazenda onde Emily mora pelas casas do subúrbio nova-iorquino e um padre conservador por um mais descolado e "moderninho". Entretanto, essas mudanças não trazem frescor algum ao assunto, muito menos dinâmica; pelo contrário, Derrickson apenas cria um novo contexto para depois recheá-lo de clichês de filmes de terror e policiais.
Eric Bana e Joel McHale dão vida a uma dupla de agentes que vão ligando casos aparentemente desconectados que envolvem soldados pós-Iraque, mudanças de personalidade e muitos animais (preparem-se para ver forças malignas agindo sobre todo tipo de bicho)! Junto disso, o personagem de Bana, que obviamente é um policial durão descrente ferrenho (porque todo filme de exorcismo precisa de um personagem sem fé), ainda tem de lidar com dramas pessoais em sua família.
A decisão de Derrickson de fazer um filme policial mesclado com terror não dá certo. Não satisfeito em encher o filme de clichês de filmes de terror, ele também coloca os de filmes policiais! Cada cena que McHale aparece, o policial engraçadinho que não tem medo de nada, uma piada sai de sua boca. Obviamente, não demora muito para que isso comece a irritar, pois as piadas acontecem nos momentos mais inoportunos, alguns até inacreditáveis, como durante o exorcismo-clímax da história.
Cansativo e sem nenhuma novidade, assim como o personagem de Eric Bana, Livrai-nos do Mal não impressiona nem quando a "até-que-respeitável" (e única parte que prende a atenção no longa) sessão de exorcismo começa, no clímax do filme. Uma conexão do demônio em questão com a música "Break On Through" da banda The Doors soa caricata e também é utilizada de forma errônea mais de uma vez. O resultado chega a ser risível em algumas cenas.
No fim da sessão, tentei buscar algo de memorável que o filme deixou e não consegui encontrar nada além de seu convidativo e comercial título. Decepção define. Derrickson, sem dúvida alguma, deu um passo gigantesco para trás em relação aos seus dois ótimos filmes de terror anteriores, A Entidade e O Exorcismo de Emily Rose. Livrai-nos do Mal é um tédio dos diabos.

André de Oliveira

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