Resenha | Clube da Luta

Título: Clube da Luta
Título Original: Fight Club
Autores: Chuck Palahniuk
Editora: LeYa
Ano: 2012
Páginas: 272
Sinopse: Considerado um clássico moderno desde sua publicação em 1996, o livro Clube da Luta consagrou Chuck Palahniuk como um dos mais importantes e criativos autores contemporâneos, além do próprio livro como um cânone da cultura pop. O livro que estava esgotado há anos volta às livrarias nessa caprichada edição. O clube da luta é idealizado por Tyler Durden, que acha que encontrou uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para frente. O livro foi filmado em 1999, Por David Fincher (Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, A Rede Social), que possui duas nomeações ao Oscar, que conseguiu adaptar toda atmosfera do livro, o mundo caótico do personagem e o humor negro de Palahniuk em uma trama recebida com inúmeros elogios pela crítica e pelo público que conta com os atores Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter.

Eis aqui um dos melhores livros que li esse ano.
Resolvi ler Clube da Luta pois vi a clássica adaptação dirigida por David Fincher há um tempo, e lembro de ter adorado, mas lembrava de pouquíssimas coisas. Obviamente me lembrava do desfecho tão comentado, inusitado e original (que me deixou de queixo caído, e ainda me deixa, até hoje), mas não recordava da história. Das cenas. Da situação. 
Só lembrava de ter amado.

O livro, assim como o filme, prende o leitor desde a primeira frase. Desde o primeiro parágrafo, até o último, o felizardo que pegar esses livros nas mãos se vê numa daquelas raras (mas deliciosas) situações de se sentir preso a um conjunto de páginas. A escrita de Palahniuk é tão única e envolvente, que é quase como se ele estivesse lançando um feitiço por meio das palavras. 
Clube da Luta é aquele tipo de livro que você, quando está lendo no ônibus ou no metrô, lamenta quando chega ao destino, porque tem que interromper a leitura.
Aquele tipo de livro que faz você esquecer que está esperando o dentista no consultório. 
Que te faz perder aulas, enquanto escuta somente a voz do professor bem longe.
É daqueles livros que fazem você não perceber que a pessoa está falando com você, e ela tem que gritar: "Ow! Não tá me ouvindo não?"

Parte disso, sem tirar mérito da escrita de Palahniuck (mas fazendo isso com mais um elogio) é pela incrível história que ele criou. Uma filosofia interna, escondida de forma maravilhosa, e um personagem principal extremamente bem construído. O que faz Palhniuck triunfar é conseguir criar um personagem tão único, mas tão comum, que você se identifica um trilhão de vezes durante a leitura. Acima de tudo quando ele não tem nome, e você começa a imaginar um trilhão de nomes para ele (inclusive o seu).
O narrador (personagem ao qual não sabemos o nome, e que conduz o livro em primeira pessoa) é um atormentado pela insônia, e um "penetra" de Grupos de Apoio. Ele frequenta o grupo de Câncer, de Alcoólicos, e de Depressivos... mesmo sem ter nenhuma dessas doenças.
Por isso, desde o início, percebemos que ele tem um grave problema de personalidade, uma autoestima muito baixa, e vive numa triste depressão tediosa por sua vida ser extremamente perfeita. Ele só quer um pouco de bagunça. De adrenalina. Só quer um arranhão na vidraça tão limpa de seu escritório.

Clube da Luta é um livro sobre a vida. É um livro sobre o real sentido da vida, e da existência humana. Te faz questionar, por meio de um humor sombrio assustadoramente engraçado, o que você é entre as bilhares de pessoas nesse mundo. Te faz questionar se a ambição de sua vida é terminar o colegial, trabalhar para ser rico, ser rico para comprar, e finalmente, morrer.
É um livro sobre a ironicamente distorcida realidade social.

O narrador se  vê infeliz em um mundo de perfeição. Tudo que ele quer é um pouquinho de... caos.
Ele encontra essa escapatória conhecendo Tyler, um cara totalmente diferente dele, ao qual ele se entrega completamente e juntos criam o Clube da Luta, uma espécia de "Reunião", onde homens vão para extravasar toda a sua ira do mundo, sua raiva de suas extremamente perfeitas vidas, onde eles só querem rasgar as camisas de marca deles, onde eles só querem quebrar a vidraça do carro zero deles.
Lá, esmurrando uns aos outros, eles encontram a liberdade que precisam para enfrentar esse mundo de futilidades.

Chuck Palahniuk sabe transcrever essa mensagem de uma forma singela, simpática e extremamente atraente. Depois de Clube da Luta, você não é o mesmo.
São tantas ideias filosóficas, frases perfeitas que você pára um pouco de ler para pensar nelas, e absorver toda a informação que elas trazem.
Finalmente, é um livro quase perfeito. 
Só não digo que é perfeito, porque depois desse livro, a perfeição passou a me assustar.




Yuri Hollanda

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