Resenha | Half Bad - Meia Vida (Livro 1)

Título: Half Bad
Título Original: Half Bad
Autora: Sally Green
Sinopse: Em Half Bad, os leitores conhecerão o mundo de Nathan, filho de uma bruxa da Luz com o mais poderoso e cruel bruxo das Sombras. O adolescente vive com a avó e os meios-irmãos e é visto como uma aberração por seus pares. O Conselho dos Bruxos da Luz vê nele uma ameaça, que precisa ser domada ou exterminada. Prestes a completar dezessete anos – época em que todos os bruxos passam por uma cerimônia em que seu dom é finalmente revelado bem, como sua denominação como bruxo da Luz ou das Sombras –, agora Nathan terá que correr contra o tempo para achar o pai, que jamais teve oportunidade de conhecer, e salvar a própria pele.

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Não me julguem pelo que vou falar em seguida, mas Half Bad foi mais um dos inúmeros livros que eu compro porque a capa é visualmente bonita. 

É normal, é um pecado e uma falha de quase todos os leitores. Mas as consequências podem vir a ser boas, muitas vezes, quando além da capa ser bonita, o livro também é muito bom. Não é o caso de Half Bad.

Tenho que dizer que Half Bad estava ótimo durante as primeiras 100 páginas. A história era cativante e interessante e o protagonista, Nathan, era único e parecia ser bastante bem desenvolvido. Mas o livro, em uma velocidade a qual nunca vi antes, se perdeu de uma forma tão horrenda que foi realmente lamentável vê-lo se desmanchar em "mais uma" trilogia adolescente, com as histórias já batidas, e os personagens unidimensionais que existem por aí.
É um livro rápido, leve, com uma escrita inicialmente boa, mas que com o tempo você percebe que não é nada original nem altruísta. A autora força o seu estilo de escrita, tentando colocar um tom raso e cru na narrativa, para que ela se encaixe na tentativa frustrada de uma trilogia-adolescente-adulta-e-violenta.

É visível o desespero de Sally Green na tentativa de buscar uma originalidade que acaba se tornando a maior piada do livro. As inúmeras cenas de violência gratuita, onde líamos o personagem "sofrendo", e não sentíamos um pingo de empatia, aparecem a cada quinze páginas. A autora simplesmente não soube desenvolver sua ideia que é, a princípio, realmente boa, e saiu enfiando uma sequência de sofrimento do protagonista atrás da outra, que supostamente era para nos fazer sentir algum tipo de pena ou angústia.
Não que as situações que Nathan enfrenta não pudessem causar esse tipo de sentimento em qualquer um, mas a escrita simplesmente não deixa. De tão rasa, rouba-nos detalhes que seriam ricos para a criação de um vínculo.

Aliás, vínculo é o que mais falta em Half Bad.
Os personagens são tão "whatever", alguns tão batidos, que você fica sem acreditar na falta de criatividade da autora em personagens secundários, salvando-se apenas o protagonista que é, sem dúvidas, o grande trunfo desse livro.

Interessantíssima a ideia de um personagem sujeito a ações "morais" totalmente diferentes, quando ele tem de Luz e Sombras dentro de si. Interessantíssimo como Nathan bate nas pessoas e ri enquanto o faz, ou como consegue, ao mesmo tempo, estar perdidamente apaixonado por uma pessoa.
O que não é nem um pouco interessante é como Sally Green resolve conduzir essa múltipla personalidade do personagem, que poderia facilmente ter se tornado um anti-herói histórico, mas que foi corrompido junto com o conjunto todo da obra.

O término deixa um bom gancho para os outros dois livros da trilogia, mas não chegou a me deixar curioso. Duvido bastante que algum dia lerei o restante, e se ler, espero me contentar com o desfecho. Half Bad tem um imenso potencial e foi triste ver o livro se desfalecer em uma história clichê e batida, que de início tinha tudo para se tornar uma das mais originais distopias dessa geração de jovens que parecem cada dia mais viciados nesse tema. 

Mas continua difícil achar uma dessas obras que sejam realmente boas. Mais uma vez, não foi dessa vez.



Yuri Hollanda

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