Crítica | Homens, Mulheres & Filhos


Falta carisma nos personagens do novo filme de Reitman.



A nova obra de Jason Reitman, famoso por sua direção cult e por produzir e dirigir um dos maiores sucessos adolescentes já feitos, o filme "Juno" (No qual Ellen Page interpreta uma adolescente de 16 anos grávida), encontra esse ano em seu mais novo filme, "Homens, Mulheres & Filhos", uma forma de explorar conceitos mais adultos e profundos, afim de tocar um público mais maduro: a forma como a nossa vida sexual está, diretamente, na maioria das vezes, ligada a tecnologia.

Com um enfoco especial, mais uma vez, no público adolescente, a trama lida com várias histórias em uma pequena cidade estadunidense onde os personagens estão descobrindo, alguns enfrentando, e outros sendo torturados, por suas vidas sexuais. O filme inicia com uma narrativa extremamente desnecessária na voz de Emma Thompson, e já se torna um tanto enfadonho de início. 
O maior problema do longa é justamente esse: a necessidade de se explicar a todo momento.
O irônico, é que é um roteiro bastante simples. Pobre, eu diria.

Em meio ao seu estilo de dirigir bastante singular e de fácil reconhecimento por obras como Juno, Jovens Adultos e Amor sem Escalas, Reitman se perde, na verdade, com a falta de empatia e de carisma dos muitos personagens do longa. Atores conhecidos fazem presença a todo momento, como Jennifer Garner na pele de Patricia Beltmeyer, uma mãe totalmente neurótica com a vida da Filha, Brandy (interpretada por Kaitlyn Dever) e que rastreia as mensagens de textos, verifica as redes sociais, e todas as loucuras estereotipadas que, apesar de não ser totalmente inimaginável na vida real, não é o que vemos com tanta frequência. 
Adam Sandler, talvez pela primeira vez em uma papel dramático, mantém o mesmo nível de atuação de suas comédias besteirol: zero. O ator interpreta Don Truby, um pai de família que se encontra em um momento difícil em relação à sua esposa, Rachel Truby (Rosemarie DeWitt). O casal vive uma crise sexual, e ambos encontram uma saída para isso em um site de encontros online (mais uma das situações inimagináveis e clichês que o filme insiste em mostrar)
Ainda no núcleo adulto, está outro casal: Donna e Kent (intepretados por Judy Greer e Dean Norris, respectivamente), ambos divorciados e com problemas com seus filhos, que resolvem marcar um encontro durante uma reunião de pais a respeito da obsessão de seus filhos pela internet. Os dois são, talvez, os personagens mais normais do filme, e os que mais chegam perto de criar alguma empatia. 
Surpreendentemente, os filhos dos personagens de Greer e Norris são os destaques de Homens, Mulheres & Filhos.

Ansel Elgort na pele de Tim Mooney surpreende com uma atuação que certamente exigiu muito dele. É um personagem emotivo, triste, que vive em uma depressão social que estamos acostumados a ver em adolescentes. Mas que é vítima do roteiro, como todos os outros personagens.
Olivia Crocicchia interpreta Hannah Clint, a clichê estudante americana popular e patricinha. A personagem talvez fosse mais interessante se fosse desenvolvida, mas não é. Nada é desenvolvido na nova obra de Retiman, e o filme mostra tudo o que queria propôr nos primeiros 15 minutos.

A tentativa de mostrar uma história pesada, emocionante e, acredito, que fizesse o público se identificar com o filme se perde no desespero enorme de passar essa mensagem. São inúmeras situações que não se aplicam à vida real, e as comparações com os jogos que os adolescentes são fissurados, que aparecem no filme, simplesmente não funcionam porque a história é igualmente "fantasiosa". 

É uma pena que Retiman tenha sido infeliz ao não saber lidar com os sentimentos dos personagens. Ele conduz muito bem o tempo de cada um na tela, o nível de importância de cada um deles, mas simplesmente não consegue chegar no ponto inicial da proposta. 
Saindo da sessão, o que deixamos para trás é um filme que tentou ser profundo, mas não conseguiu por sua base, a história, as histórias... serem rasas demais.


Yuri Hollanda

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