Review | Doctor Who - Flatline (S08E09)

Sinopse:
Separada do Doutor, Clara descobre uma nova ameaça de outra dimensão - mas, como se esconder quando nem as paredes servem de proteção? Com pessoas para salvar e o Doutor preso, Clara tem que enfrentar um inimigo que existe além da percepção humana.

Faltando apenas 3 episódios para encerrar a temporada (sendo a finale um episódio duplo), o medo de que a série repetisse o erro dos outros anos, e entregasse um filler qualquer a essa altura do campeonato, era grande. Felizmente, Flatline não é nada disso, e o que parecia ser um episódio Doctor-lite com um história bem mais ou menos, se mostrou ser totalmente ao contrário.  Ok, talvez seja um pouco cedo pra comemorar, já que ainda temos mais um episódio antes da primeira parte da finale, mas o arco principal também deu belo avanço aqui (mesmo que de uma forma sutil) - deixando o caminho que vem sendo traçado durante toda a temporada mais fácil de enxergar, mostrando o como a narrativa dessa temporada está bem costurada e planejada. E é certo que vai continuar assim na próxima semana.

O plot acompanha a troca de papéis entre Clara e o Doctor, e coloca a companion na pele do Time Lord, uma vez que ele fica impossibilitado de agir estando preso dentro da TARDIS - que encolheu a ponto de permitir que Clara a carregue na bolsa. A situação é completamente bizarra, mas se tem uma série que consegue fazer isso funcionar, essa série é Doctor Who. O conceito das criaturas bidimensionais também pode parecer estranho, mas o trabalho visual que fizeram com elas é tão bem feito, que qualquer dúvida que se podia ter quanto a elas é descartada. Chamadas de "The Boneless"(Os sem Ossos) pelo Doctor, elas já se tornaram as melhores e mais interessantes criaturas que deram as caras na série, e realmente espero que essa não seja a última aparição delas. 

A ideia de seres bidimensionais, que dissecam os humanos para criarem uma forma tridimensional, é tão "boba" e ao mesmo tempo tão inteligente, que me surpreende que nunca tinham pensado em algo assim para a série antes.
Na imagem, Clara e o Doctor descobrem como os "Boneless" agem, ao encontrarem os restos mortais - o sistema nervoso pra ser mais específico - de uma policial na parede.

I'm The Doctor... but You can call me Clara! 

 Como dito antes, Clara assume o papel do Doctor nessa história, mas não é preciso muito esforço para fazer com que ela se pareça como tal, e isso graças a todo o  desenvolvimento que a personagem ganhou esse ano.

Quando eu digo que Flatline nos ajudou a enxergar melhor o caminho que vem sendo traçado durante a temporada, não me refiro apenas a aparição surpresa no final do episódio, mas também a forma como Clara age, pois a construção do arco dela foi outra coisa que começou a ficar mais nítido.
Desde Deep Breath nós podemos ver a evolução da personagem, e todo esse drama entre ela e o 12th - que muita gente tem reclamado - ajudou a chegar no que vemos aqui.

Veja bem, Clara começou a sua jornada como uma garota normal, "mais assustada do que aparenta" como disse Emma Grayling em Hide, e sua fé no Doctor foi o que fez dela uma heroína em certas ocasiões - mas sem ferir sua moral ou deixá-la menos humana. Isso foi algo que permaneceu por bastante tempo, e mesmo depois da mudança radical de uma regeneração para outra, ela foi passando a se acostumar com a personalidade do 12th, e a forma como ela enxergava o permaneceu. Porém, quando o Doctor mudou, Clara perdeu o controle que antes ela tinha da situação, e o lado frio do Time Lord começou a exercer mais influência nela.

Devido a essa influência, já vemos uma grande mudança naquela menina assustada da temporada 7b em The Caretaker, e os indícios de que ela estava ficando viciada nessa vida na TARDIS já começaram a ser mostrados ali. Devido ao dilema de Kill the Moon, esse vício foi alimentado e como consequência, Clara foi se acostumando cada vez mais a vida de mentiras e a natureza fria do Doctor, tornando-a mais racional e menos emotiva. Tanto que, quando alguém morre aqui, ela não fica se lamentando; Pelo contrário, a companion age como o seu "herói" e não parece ligar pra isso - algo que, em uma época diferente, não seria o caso.

Mas a "Doutora Oswald" ainda tem seus momentos como Clara, o principal é quando Rigsy, o seu companion da história, tenta se sacrificar para o bem maior e ela se recusa a aceitar isso. Ela também abraça sua capacidade aqui, e ao invés de ficar pensando no que o Doctor faria, quando se encontra em uma situação que o Time Lord não pode mais ajudar, ela se questiona sobre o que ela pode fazer.
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Só que apesar de toda essa tensão e desenvolvimento "sombrio" da Clara, o episódio ainda consegue ter um clima equilibrado, e ter o Doctor na TARDIS encolhida contribui pra isso, porque é o que gera alguns dos momentos mais engraçados da temporada, aproveitando todo o humor visual da situação.
Aliás, mesmo com o Doctor preso, o plot faz questão de mante-lo presente durante todo o episódio, e uma vez que Clara consegue resolver o problema do encolhimento, ele volta a assumir seu papel como o "homem que impede os monstros", e os minutos finais são exclusivamente dele.

No entanto, quando tudo é resolvido, ele parece mais incomodado do que aliviado, e isso se deve a forma que Clara - que deveria ser a sua consciência e o seu lado bom -, se tornou tão semelhante a ele.

Aqui, a gente ainda vê o quanto o Time Lord tem aversão a própria imagem:
"Você foi um Doctor excepcional Clara, mas bondade não tem nada a ver com isso."
No fim das contas, o que conforta o Doctor, é a ideia de que ele torna as pessoas melhores, mas agora ele ta sendo forçado a concluir que ele ta sendo o pior pra Clara, mesmo que ela se orgulhe do que está se tornando. O que nos leva a aparição "surpresa" da Missy.

Primeiro quero dizer que mais uma vez Moffat jogou minhas teorias pela janela, e isso em apenas 5 segundos de cena e um frase! Mas enfim. 

Missy deixou evidente ao final do episódio que se orgulha da forma que Clara tem agido. Para ela, Clara foi a escolha ideal, fazendo parecer com que toda essa mudança na companion já tivesse sido planejada, e nos levando a crer ainda mais que ela tem certa influência sobre o que ta acontecendo -como já estava subentendido desde Deep Breath

O arco da temporada então fica mais claro a cada episódio, as peças continuam se juntando e a finale só vai acumulando expectativa. De fato Flatline foi muito mais importante do que parecia e novamente a 8ª temporada merece elogios pelo seu planejamento, triste é ver que pouca gente tem notado isso.


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