Review | Homeland - The Drone Queen (S04E01)


Homeland retorna com os resquícios de sua antiga Era, e mais promissora que nunca.



Após um intervalo de oito meses, e depois dos chocantes acontecimentos da finale da terceira temporada, deixando muitas pessoas com uma séria interrogação do que vai ser da série sem Nicholas Brody, a polêmica "Homeland" retornou com sua surpreendente quarta temporada.
Após muitas provas de que são corajosos, os roteiristas terminaram o que vinham adiando durante três anos: mataram Brody diante dos olhos de Carrie e dos telespectadores, e deixaram a série nas mãos, nas costas, e na responsabilidade de Claire Danes e sua personagem.

Mas a terceira temporada, apesar de muito criticada (e realmente, bastante abaixo do nível que a série vinha mostrando nos seus dois primeiros anos) teve um desfecho inusitado, e deixou caminho aberto para os roteiristas, deixando-os fazer praticamente tudo que quisessem. 
O criador, Alex Gansa, após a exibição da finale da terceira, declarou que "O nosso desejo [dos roteiristas] era fazer com que Carrie tomasse todas as rédeas da série. A única maneira de fazer isso era tirando Brody".
Carrie realmente toma as rédeas da série. E ver essa personagem tão única e brilhantemente construída comandando, após sofrer sobre a repressão de Saul Berenson durante três anos, foi algo que os roteiristas deviam ter feito há muito tempo. A sensação, após ver a sensacional premiere, é a de que os criadores perderem tempo demais contando a história de Brody e Carrie, enquanto podiam ter focado há muito tempo na personagem sendo uma chefe de estação.

O visual reformulado de Homeland está muito mais envolvente. A prova disso, é que o episódio passa no que parece ser segundos, trazendo um novo arco que aos poucos foi sendo construído, e se tornando o mais cativante desde a primeira temporada, quando tínhamos um ex-soldado americano retornando. Dessa vez, temos a sempre brilhante Carrie Mathison, que está lançando drones em territórios Paquistaneses, errando pela primeira vez em seu trabalho como líder, ao autorizar o lançamento de um drone à um casamento, por engano (claro).

Uma coisa que eu sempre gostei em Homeland, e que nesse episódio foi mais intensificada ainda, é que o show, sendo americano, quebra as regras ao mostrar com quase imparcialidade o lado do Oriente Médio. É um tema bastante difícil de lidar (terrorismo, ataques, política), e ainda assim, por mais que, claro, a série puxe para o lado americano, eles ainda tentam sensibilizar o telespectador pelo lado dos "terroristas". Suraj Sharma é o interlocutor desse lado, dando vida à Ayaan, o único sobrevivente à explosão no casamento da família, que se vê perdido na total inocência do acontecimento.

Enquanto Carrie tenta contornar a situação do erro perante à CIA, e ao seu novo chefe, Lockhart, percebemos que a personagem faz isso da forma mais fria possível. Ela, como disse Claire Danes, está, realmente, assustadora. A personagem reage às mortes de mais de duas mil pessoas com a frase "É um trabalho", e ao ser questionada por Quinn se isso não a incomoda, ela simplesmente dá de ombros e fala que "erros não acontecem com frequência".
Depois, ainda vemos mais uma discussão entre ela e Quinn (onde ele manda ela se foder) após quase serem mortos por um linchamento dos cidadãos Paquistaneses, acontecimento que ela causou ao revoltar a população com o ataque e a morte desses inocentes, e acidentalmente colocar a culpa em Sandy, personagem de Corey Stoll.
E na jogada de mestre do roteiro, logo no primeiro episódio, nos deixam o único personagem com a resposta para quem seria o informante com o codinome "X", morto. Resta acreditar que a busca pela identidade de "X" vai ser um dos principais arcos da temporada.

Durante a divulgação, achei que o personagem de Corey Stoll iria durar mais... não passou da premiere. Mais uma prova de que os roteiristas realmente se empenharam na temporada, e voltaram com aquele velho fator Homeland: De estar sempre à nossa frente.
Muito bom ver uma série digna como essa se reerguendo após uma enorme decaída. Muito bom ver que Alex Gansa e Howard Gordon estão cumprindo o que prometeram, pelo menos durante os cinquenta minutos desse episódio.

É, meus amigos, Homeland voltou. De cara nova, história nova, e uma quase nova personagem principal, no mínimo "reformulada". Vai ser interessante ver Carrie com o coração frio e duro, ver o que ela irá fazer a respeito de sua recém nascida filha, observar a dinâmica entre ela e Quinn, que já começou a ser explorada, sendo aprofundada, e ainda conduzida por uma história que tem tudo para ser a melhor até aqui. Afinal, quem precisa de Nicholas Brody quando se tem Carrie Mathison comandando a temporada, no seu melhor estilo badass?


Assista ao trailer da temporada:

Yuri Hollanda

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