Review | Homeland - Iron In The Fire (S04E04)


Quando os ajudantes roubam a cena da Líder, ela precisa fazer algo maior. E se tratando de Carrie Mathison, o 'maior' é enorme.


Já faz parte da tradição de Homeland, depois de três anos, ter o quarto episódio da temporada como um dos mais importantes.
Na primeira, Carrie Mathison invade o grupo de apoio que o Nicholas Brody frequentava, infringindo as regras da CIA, e fazendo contato pessoal com um homem que, naquela época, era acusado de terrorismo, e que ela estava investigando.
Na segunda, mais uma vez no quarto episódio da temporada, a agente prende Nicholas Brody dentro de um quarto de Hotel, resultando em uma das melhores cenas que a série já teve.
Na terceira temporada, é revelado o maior plano entre Carrie & Saul até então, onde a agente se sacrificou para descobrir quem foi o responsável pela explosão na Langley.
Na atual quarta temporada, o quarto episódio não quebrou a corrente. Mais uma vez, Homeland chegou em um dos seus muitos clímax da temporada, dando início ao conhecido frenesi que cada fase da série tem a partir desse número, e que vai durar até o final.

E para isso acontecer, pela primeira vez, não foi necessário as muitas artimanhas e impulsividades de Carrie Mathison. Quem rouba a cena são seus, agora, "empregados": Quinn, Saul, Fara e Max.
À começar pelo primeiro, logo de início temos a construção de uma atmosfera tensa e pesada para o episódio, e o responsável foi o nosso glorioso Quinn, que está tendo uma grande ajuda do roteiro para que ganhe o amor do público, que está vindo bem rápido.
Não tem como não se apegar à ele. Quinn com essa submissão romântica à Carrie, e ao mesmo tempo sendo o único que a conhece verdadeiramente (e ela sabe disso, o que a incomoda ainda mais), é ótimo de se ver. Óbvio que algo entre eles dois está para acontecer, e isso está sendo maravilhosamente bem construído. Os diálogos do casal estão ótimos, assim como os conflitos entre eles (que parecem não ter fim), e os olhares não enganam: Quinn & Carrie está a caminho, e a cada episódio isso fica mais evidente.

Saul parece ter finalmente achado seu lugar na temporada. Não de um jeito muito bom, visto que ele está visivelmente se entregando à paixão que ele tem pela CIA, e usando seu novo trabalho para ajudar no caso de Carrie. A amizade entre os dois sempre foi muito bonita, e o fato dele ter se arriscado bastante nesse episódio, sendo o responsável por deixar bem claro para o Governo Paquistão que a Inteligência Americana já está ciente dos atos deles por trás do assassinato de Sandy, foi mais gratificante ainda como fã de Saul Berenson, e só engrandeceu o personagem que não faz esforço para ter essa magnitude da série. Só acho que ele poderia ser um pouco mais aproveitado, de uma forma que não deixasse ele com um papel tão deslocado do resto da trama.

A parceria entre Fara e Max foi de longe uma das melhores coisa do episódio. A dinâmica dos dois está ótima. Não fosse a péssima atuação do casal de atores (Maury Sterling com a cara de panaca de sempre, e Nazanin Boniadi sem expressão alguma), seria perfeita.
A caçada ao destino de Aayan foi o que moveu grande parte do episódio, e deu chance à Fara para aparecer no atual enredo da série, e ter seus próprios momentos. Estes me fizeram pensar se ela não virará uma Carrie 2.0 no futuro. Menos impulsiva e descontrolada, (e sem o talento de Claire Danes), mas badass na mesma proporção. O fato dela ter descoberto a grande bomba que explodiu no episódio foi a maior prova de que essa teoria pode ter um certo fundamento, mesmo que tenha um grande caminho à ser seguido para que se concretize.
A cena foi espetacular, um show de acontecimentos seguidos e de direção. Primeiro a briga entre Carrie e Quinn (culminando em um auge de tensão construído no episódio inteiro), e logo em seguida a explosão da real bomba, com o telefonema de Fara, informando que Haqqani está vivo, e Aayan mantém contato com ele.

Mas o assassinato orquestrado de Sandy foi só a ponta do Iceberg, que parece ter mais partes submersas do que imaginávamos, e quando pensávamos que as coisas não poderiam ter ficado mais confusas, uma nova e amedrontante personagem aparece, trazendo com ela a identidade do misterioso Informante "X" de Sandy: O marido da Embaixadora (!!!). Queria deixar bem claro para os leitores que a Embaixadora, na CIA, cumpre o papel de administrar a Missão, e dar as ordens a quem está executando-a. No caso, a Embaixadora está administrando a Missão de recrutamento do Aayan, e conduzindo Carrie, que está executando. Antes de Carrie, quem fazia o trabalho era Sandy, e a Embaixadora era responsável por ele. É totalmente plausível os vazamentos por parte do marido dela, só nos resta saber o motivo, e para quem a nova personagem, que aparentemente é a única a saber desse segredo até agora, está trabalhando: Para o governo do Paquistão? Talvez, mas se tratando de Homeland, aposto em uma resposta maior.

Agora resta a Carrie e ao resto da equipe a revolta por terem sido enganados o tempo todo, não só pelo governo do Paquistão, mas por Aayan. Carrie já estava se preparando desde o outro episódio para trazê-lo para seu lado do modo que ela mais sabe fazer: sexo.
Carrie entende de sexo, e sabe fazê-lo funcionar. Não é a primeira vez que ela usa desse meio para recrutar alguém (Brody dispensa comentários), e isso não me surpreendeu nem um pouco. Mas vi comentários negativos a respeito disso, e não pude deixar de pensar que é por conta do gênero da personagem. Me pergunto se fosse um homem seduzindo uma menina iria ter tanto barulho... Ninguém nunca viu 007? Aquilo nunca incomodou ninguém, ou incomodou?!

Isso é, e sempre foi, o grande trunfo da personagem, o que faz dela escandalosamente bem feita: O fato dela ser uma agente da Segurança Nacional, e ter a noção de Moral Profissional ironicamente desestabilizada... Esse freio inexistente de Carrie, que acarreta na sua falta de limites, é sua maior virtude (e seu maior defeito), o que a torna uma das personagens mais incríveis já criadas. E os telespectadores que ainda não estão acostumados com isso deveriam mudar, afinal, agora que a série é totalmente dela, creio que essa personalidade forte só vai ser mais intensificada.

Enfim, foi um episódio eletrizante do começo ao fim, daqueles que resgatam as antigas memórias da série, que era 100% lá na primeira temporada. Eu, como amante de Homeland, estou incrivelmente feliz com a recuperação da qualidade da série, que está acontecendo tão rápido e maravilhosamente bem. Daqui pra frente, acredito que a série entrará em uma fase de suspense e ação em um nível que não experimentou até agora.
Ótimo episódio, com um roteiro fechado e bem conduzido, honrando a tradição Homeland do episódio 4. Vamos ver se a série continuará seguindo a mesma tradição de continuar sendo boa, apesar de ter quebrado um pouco dessa regra no ano interior.



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Próximo episódio: 4x05 "About a Boy", assista a prévia:

Yuri Hollanda

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