Review | Homeland - Trylon and Perisphere (S04E02)


O episódio em que Carrie Mathison extrapola os limites da insanidade, sem precisar ter um de seus conhecidos surtos.



A volta de Homeland, além de trazer uma season premiere inegavelmente melhor do que muitos imaginavam, trouxe uma sequência de acontecimentos bastante diferentes do episódio anterior (não menos bons). A segunda parte da premiere entra para o grupo daqueles episódios bem emocionais, e que elevam a atuação de Claire Danes à última potência, explorando o que há de mais forte na atriz: muito choro, e muito drama.
Mas nessa quarta temporada, o que parece é que temos uma nova Carrie Mathison na tela. Creio que nunca vimos a personagem tão emocionalmente abalada, mas de um jeito diferente ao que estamos acostumados: antes, a agente extravasava por meio de suas falas, seus gritos, seus choros exagerados. Esse ano, as emoções foram guardadas, trancafiadas no mais íntimo pedaço da personagem, o que faz parecer que ela, na verdade, não tem emoção alguma.

O primeiro episódio também quase não tocou no assunto, como se não quisesse, assim, mexer na ferida da personagem. Mas ao ser obrigada a voltar para casa, Carrie se vê na obrigação de ter que encarar o seu atual e maior medo: sua filha, Franny.
A cena ao qual ela chega no jardim da casa da irmã, Maggie e ,de longe, escuta o choro da criança, e num ato desesperado tenta voltar, já deixa na cara que a personagem não está preparada para ser mãe. E a razão disso é óbvia: a bebê é uma lembrança da existência de Nicholas Brody.
O fato interessante é que em nenhum momento o nome de Brody é pronunciado, mas mesmo assim, a aura do personagem parece pairar, desconfortavelmente nas cenas. Isso é registrado seja pelas atitudes de Carrie como mãe e como agente da CIA, ou simplesmente pela série ter mudado tanto que chega a não sobrar espaço imaginável para o personagem ser encaixado. E isso não é difícil de aceitar, mas soa desconfortável. O que é difícil aceitar é Brody ter deixado uma filha para Carrie num momento tão ruim...

O relacionamento das duas é o foco nesse episódio. Não é pra menos, sendo que esse foi o maiore gancho que a terceira temporada deixou. Também não é surpresa esse comportamento de Carrie em relação a sua filha. Desde sempre, ela deixou bem expressa sua opinião a respeito da gravidez, e na season finale passada, vimos ela assustada e triste pelo acontecimento.
O que surpreende é os extremos que a personagem se deixou levar por essa tristeza enorme que ela carrega dentro de si. A tentativa desesperada de acabar com o "empecilho" que ela colocou no mundo, ao tentar afogar a própria filha durante o banho, foi nefasta, desnaturada.
Desde sempre fui fã da personalidade impulsiva e ao mesmo tempo genial da agente que sofre de bipolaridade e resolve casos do centro de inteligência. A loucura de Carrie sempre foi uma virtude da personagem... mas dessa vez, ao tentar afogar a filha, temos que levar em conta que, em termos medicinais, ela estava "bem". Não foi a bipolaridade, nem a mente de Carrie que a fez tomar essa atitude, mas o coração dela, que está dilacerado com a morte de Brody.

A cena foi sufocante e extremamente desagradável. Pelo menos, Carrie percebeu no último segundo o quão cruel estava sendo, e tirou Franny da banheira logo em seguida.
Mas não desistiu de se ver livre da menina.
O fato de Carrie chegar ao ponto de chantagear Lockhart para conseguir retornar ao Paquistão e continuar seu trabalho como mandante de ataques aéreos feitos por drones, só mostrou o quão ela está desesperada para ocupar sua mente com outras coisas a não ser sua filha, e Lockhart, de mãos atadas diante da "proposta" da destemida Mathison, concede o pedido da agente.

Resta ao telespectador a perplexidade sobre as decisões de Carrie, sentimento que também é compartilhado por Maggie, irmã dela, que além de não aceitar o comportamento de Carrie como mãe, falando uma das maiores verdades já ditas até hoje no show ("Se você coloca uma vida no mundo, você tem que arcar com as responsabilidades"), também percebe que o mandato de Carrie para retornar ao Paquistão foi uma manipulação da mesma. 
Mas resta um pouquinho de esperança ao vermos que Carrie, na verdade, não está nada bem com isso. Ela sabe que o que fez foi terrivelmente ruim, e ao pronunciar a frase "Estou bem", numa simples pergunta do funcionário aéreo, ela percebe o quanto foi mentirosa. Ela não está nada bem.
Não parece ser dessa vez que Carrie Mathison terá algum descanso para sua mente, mesmo estando quimicamente sã. O desafio dessa vez é deixar de amar alguém que morreu, e passar a amar alguém que acabou de nascer. 
Parece ser um desafio bem maior do que prender um terrorista.

Observações:
- Saul está totalmente deslocado. Espero que arranjem um plot realmente bom para ele logo, antes que ele vire a nova Dana Brody.
- O plot do Ayaan não evoluiu nada, a não ser pela última cena, por isso não o citei no texto.
- Franny é incrivelmente e assustadoramente parecida com o Brody.
- Quinn transando com a gordinha ramdom, e a briga dele no restaurante foram demais!
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Próximo episódio: 4x03 "Shalwar Kameez", assista a prévia:

Yuri Hollanda

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