Crítica | Amaldiçoado


Livro de Joe Hill perde a essência na adaptação de Alexandre Aja


O diretor Alexandre Aja é competente. Ele é o responsável por bons filmes de terror como Piranha 3D e Viagem Maldita, remakes de clássicos da década de 1970. O envolvimento do diretor e a escalação de Daniel Radcliffe no papel principal pareciam a receita de sucesso da adaptação do livro O Pacto de Joe Hill. Infelizmente, não foi o que aconteceu.
Daniel Radcliffe continua tentando sair da sombra de Potter e assume aqui o papel de Ig Perrish, rapaz jovem e de bom coração que, um ano depois de perder a namorada em um crime brutal, descobre que está se transformando em algo chifrudo, maligno e que possui poderes sobrenaturais.

Os problemas na adaptação do livro de Joe Hill começam quando o roteiro do filme não faz jus ao material original, além de seguir por caminhos diferentes. O vai e vem entre passado e presente, que compõe a narrativa de Hill no livro, também se faz presente no filme, porém sem a mesma profundidade e relevância. No livro, os flashbacks têm o papel de nos aprofundar nas personalidades dos personagens, entender como eles se relacionaram através dos anos e mostrar que qualquer ação pode trazer consequências. O roteiro faz isso de forma extremamente rasa, e além disso, ainda faz mudanças desnecessárias, que apenas colaboram para retirar mais ainda o tom da história original. O resultado é uma obra que não dá a profundidade necessária a seus personagens, fazendo com que tudo seja mais raso que um pires.

Radcliffe se empenha e faz um competente Ig Perrish, nervoso, amargurado e bondoso na medida certa. Joe Anderson também se revela uma excelente escolha para viver seu irmão Terry. Porém, todo o elenco é prejudicado pelo roteiro mal trabalhado. Personagens importantíssimos como Lee Tourneau e Merrin Williams (interpretados por Max Minghella e Juno Temple, respectivamente) estão extremamente descontextualizados. O filme não dá a devida importância que eles possuem na história, logo, não conseguimos entender as motivações de suas ações e tudo que os envolve acaba parecendo aleatório demais.

O Pacto é uma história pautada na alternância entre passado e presente das vidas de seus personagens. Isso, quer você goste ou não, é uma peça fundamental para a narrativa e o entendimento da história, que quer mostrar que a maldade existe em qualquer ser humano, seja ele criança, adolescente ou adulto. Todo o debate envolvendo essa questão, muito presente na obra original, é praticamente inexistente na adaptação; e todas as alegorias acabam parecendo gratuitas na tela. Infelizmente, o filme de Alexandre Aja entrou para a lista das adaptações indigestas, e provavelmente não será muito apreciado nem por quem não leu a obra original.


André de Oliveira

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