Crítica | Tim Maia


A polêmica carreira de um dos maiores cantores da música brasileira.



É possível resumir e classificar o cinema nacional em 2 categorias: Filmes de "comédia" que foram feitos para ganhar dinheiro, e filmes biográficos que resumem a vida de alguém que foi de extrema importância para a nossa nação, seja em questões políticas, religiosas e culturais. Obviamente pertencente à última dessas, Tim Maia veio para contar a trajetória de um dos cantores que causaram bastante polêmica em uma época em que o Brasil não era o país que conhecemos hoje.

Enfrentando diversos tipos de desafios, o cantor, primeiramente interpretado por Robson Nunes em sua fase antes da carreira, se mostra com uma personalidade completamente inocente, porém com um espírito aventureiro. Não pertencente ainda ao mundo da fama, Tim Maia se mostra apenas mais como um jovem que quer ir atrás de seu sonho: Se tornar um cantor. O que o impede basicamente são as pessoas ao seu redor que em vez de enxergar o seu talento, preferem simplesmente ignorá-lo.

No entanto, Tim Maia prefere sair do país e se mudar para os Estados Unidos, pois acredita que só lá as pessoas irão crer em seu talento, e assim seu futuro estará garantido. Como não sabe falar inglês fluentemente, as cenas em que o personagem dialoga com os americanos inicialmente são uma forma de se garantir boas risadas, o que se torna positivo, já que o filme não se prende totalmente ao drama. Mas isso não quer dizer que o filme seja leve em geral.
Ao entrar o Tim Maia de Babu Santana, o filme começa a adquirir um caráter mais pesado, o que pode ser dito do filme em geral. Não é surpresa para os que são fãs do cantor se depararem na tela com inúmeros casos que envolvem drogas e violência. O filme procura abordar também esses aspectos que podem fazer o espectador pensar se Tim Maia era realmente um homem que possuía mais contras do que prós.

Seu relacionamento com Janaína (interpretada pela brilhantíssima Alinne Moraes) colocam à prova o que era realmente Tim Maia em tempos difíceis. O casal é com certeza o ápice do filme, e as atuações de ambos merecem destaque. Sendo dirigidos por Mauro Lima, não é surpreendente o fato de que Santana, Nunes e grande parte do elenco estarem em ótimas condições de atuarem em um filme desse tipo. O diretor de ótimos filmes aceitos pela crítica como Meu Nome Não é Johnny e Reis e Ratos entrega um ótimo trabalho para o cinema nacional. Merece ser citada a fotografia, que tenta retratar ao máximo possível a atmosfera do Brasil no passado.

O único problema do filme talvez fique por conta de George Sauma, responsável por interpretar o cantor Roberto Carlos. A história que envolve Tim Maia e Roberto Carlos é sem sombra de dúvidas um tanto quanto polêmica, e o filme aproveita isso de um jeito mediano. Essa história é bem desenvolvida, mas o que a torna a ponto de ser criticada é a atuação excêntrica até demais de Sauma. Uma atuação que se torna até por um lado forçada, e por outro, patética.
Sendo prejudicial ou não à carreira de Tim Maia, o filme não procura transmitir uma visão pessimista do cantor. É um filme que prefere deixar que o espectador interprete da forma que achar melhor. Se Tim Maia era realmente uma pessoa boa ou não, a história entregue nos permite tirar a nossa própria conclusão.

PS: Aos fãs da cantora Mallu Magalhães: Se forem assistir ao filme apenas para ver a cantora em cena, saibam que ela aparece em apenas uma cena, mas que marca bastante presença. 



  





Enrico Scafutto

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