Review | Homeland - Half Way to a Donut (S04E08)

A "Homeland espiã" dá as caras


Na semana passada, tivemos um dos episódios mais frenéticos de Homeland até então. Em "Redux" nossa querida Carrie Mathison foi gravemente sabotada por Dennis (que não passa de um zero à esquerda, agindo sobre chantagem de Tasleem), e ingeriu drogas alucinógenas no lugar de seus remédios controlados. Em resultado do surto psicótico, ela trouxe de volta dos mortos o seu tão amado Nicholas Brody, em forma de uma alucinação bastante vívida, transfigurando as feições do amado para corpo do novo personagem, Aasar Khan, que neste episódio, "Half Way to a Donut", passou de um simples figurante da parte diplomática Paquistanesa, para um personagem importantíssimo, pelo menos nessa temporada.

Mas o fato é que o episódio anterior só serviu de uma ponte para os acontecimentos da segunda metade da temporada (que encerrou magistralmente o seu primeiro ato com a morte de Aayan, em "From A to B and Back Again"), e não acrescentou nada realmente importante ao enredo da temporada, a não ser uma introdução que motivaria o aparecimento de Khan. Essa segunda parte da quarta temporada começa a engrenar, então, tendo o resgate de Saul como foco.

Homeland sabe fazer um bom thriller espião. Os melhores momentos da série, os que rendem os melhores episódios, são esses, em que a ação não é psicológica, mas é diplomática, tirânica, movida a uma injustiça política que está entranhada na constituição de qualquer país. Essa série sabe fazer isso como nenhuma outra, e nesse episódio usou dessa virtude como nunca.
A tensão passada durante o processo de resgate do Saul foi enorme. A empatia que a série nos fez sentir por cada personagem presente dentro da ação, e passando perigo, foi elevadíssima essa semana.
Até quem não gostava do Saul (como eu), ficou roendo unhas, nervoso só de pensar que ele poderia puxar aquele gatilho dentro do próximo segundo já que, depois da morte de Brody, cada um nessa série parece ter uma áurea negra, um pressentimento rodeando o corpo de cada um deles, como se, apenas quem estivesse imune à morte seja Carrie (e nem tanto).

Mas é então que Carrie usa novamente a cabeça. Como foi ótimo ver ela comandando Saul, depois de anos sofrendo na mão dele, tendo suas rédeas puxadas por ele. Essa temporada mostrou que realmente a série mudou, que Carrie é quem manda na sua própria "pátria", agora. As inúmeras cenas em que ela está comandando levaram a esse ápice, dela enganando Saul, levando-o diretamente para onde ele não queria, após prometer que o manteria longe dos terroristas.
Mas ela o salvou. E a atitude, a escolha difícil de levar ao amigo a uma nova humilhação, e a uma possível sessão de torturas, foi coerente e mais sã do que nunca (fora que a forma como a série resolveu mostrar o momento em que os soldados de Haqqani pegaram Saul, foi extremamente agoniante. Os pontinhos vermelhos avançando bem rápidos, e um único verde no centro deles...).

Agora vamos a parte suja e diplomática da coisa: O conflito dentro da embaixada entre os dois governos. Tasneem está se tornando a personagem mais repugnante que essa série já teve, lembrando muitas vezes a Roya, da segunda temporada, mas elevada ao infinito nível de chatisse. A cara dela já irrita só de olhar, e os olhares de Carrie fazem-nos pensar até quando a paciência da agente da CIA vai durar.
Sei não, mas eu bem que queria uma briga física entre as duas, lógico que uma coisa bem construída, mas seria ótimo ver Carrie perdendo a cabeça e partindo pra cima de Tasneem, já que a secretária Paquistã não parece se ofender com facilidade por xingamentos, e Carrie sempre foi mais de uma provocação verbal.

E é aí que entra Asar Khan, e que eu, particularmente, gostei muito. Somente com um episódio o personagem já mostrou que tem potencial para se tornar, talvez (com muita especulação aqui), um novo interesse amoroso de Carrie, com o mesmo peso de Nicholas Brody.
A cena dele ajudando uma Carrie totalmente ressacada a chegar na cama, a andar, e provando que, ao contrário do que todos pensavam, ele não é (não parece ser), uma pessoa corrompida pelo poder (como Tasleem é), foram muito, muito boas para o enredo, e talvez pelo alívio de ter pelo menos uma pessoa, aparentemente boa, perto de Carrie e apoiando-a, ele nos faça querer que seja o novo par de Carrie.

Mas antes que os shippers de Quinn & Carrie digam algo, fiquem tranquilos que eu também aceito o casal. Na verdade, antes de tudo, queria Carrie sozinha, já que o único casal que eu realmente shippei foi ela com Brody, mas parece que isso não vai acontecer, então eu me conformo. Mas não sei.... Quinn como interesse amoroso de Carrie me soa, em algum ponto, estranho. Eles funcionam bem demais como uma dupla de amigos, embora, claro, os sentimentos de Quinn por ela estejam evidentes. O problema é que Carrie não parece corresponder, e parece estar mais inclinada a ter alguma coisa com Asar Khan do que com Quinn, e o primeiro mostrou ser um ótimo companheiro para ela, ao entregar-lhe Dennis.

Agora só nos resta aguardar para ver o que Carrie irá fazer a respeito de Dennis no próximo episódio, por que barato ele não vai pagar. Mas como Homeland adora surpreender, acredito que ela não fará muita coisa, a não ser pedir para que ele seja um espião, agora, dentro do Governo Paquistanês e que tente conseguir alguma coisa com Tasleem, para a CIA conseguir provar que o Governo Paquistanês está realmente ajudando Haqqani (porque até agora, somente Tasleem foi mostrada ajudando, e Khan parece não estar ciente, ou seja: O Governo todo pode estar sendo traído por ela).

Tirando e contrariando as teorias, a temporada está entregando uma consecutiva leva de ótimos episódios. Já é o terceiro com um alto índice do que todo mundo gosta: ação, drama, atuação, e roteiro. Essa temporada está provando para aqueles que duvidavam que sim, os criadores da série são os mesmos das primeiras temporadas e sim, eles tem capacidade para manter a qualidade. Vem, reta final de Homeland!


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Próximo episódio: 4x09 "There's Something Else Going On", assista a prévia:

Yuri Hollanda

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