Review | Homeland - Redux (S04E07)


O episódio mais 'louco' de Homeland desde sua estréia.



A 4ª Temporada de Homeland, que estava tendo altos e baixos (começando com uma premiere dupla ótima, e três episódios bons, mas não no mesmo nível), finalmente engrenou. Depois do sexto episódio, com o final chocante da morte bruta de Aayan, levando Carrie à beira de um novo colapso, resultando em um dos melhores episódios da série (e talvez o melhor momento de Claire Danes até hoje), chegamos ao sétimo episódio, que veio com uma calmaria de acontecimentos quando analisamos o roteiro, mas com um ritmo frenético. Talvez um dos mais agitados episódios depois das três finales anteriores.

O nome do episódio anterior, "From A To B, And Back Again" (De A à B, e De Volta Novamente), se encaixou perfeitamente nele (A metáfora das letras A, de Aayan, e B, de Brody, e o fato da CIA voltar a estaca zero à procura de Haqqani). Este episódio chámasse "Redux", o que significa, novamente, um retorno a acontecimentos anteriores. A razão disso é uma nova recaída mental de Carrie, mas dessa vez vemos a loucura da personagem como nunca antes vista, sem seus remédios, e ingerindo drogas com poder alucinantes, colocadas em seu vidro de Clozapinas por Dennis (o pimentinha), a pedido da ISI.

Não sei se todos sabem mas, semanalmente, grandes emissoras, como a Showtime, liberam os episódios para os maiores veículos americanos uma semana antes, para que esses sites escrevam o texto e, assim que o episódio for exibido lá fora, postarem. Mas após ler que essa semana a Showtime não liberou esse episódio de Homeland, para evitar que spoilers vazassem, tinha certeza que grandes coisas aconteceriam.
E realmente aconteceram.

A sequência psicodélica e bem conduzida do surto de Carrie foi de encher os olhos. Nunca vimos Carrie tão no limite. Foi um episódio quase cego, com jogos de câmera e sons nunca antes vistos em Homeland para representar os sentimentos de Carrie diante do seu incontrolável caos mental. As mudanças foram necessárias e bastante proveitosas, adicionando novos ares às cenas de surto de Carrie, que já haviam sido mostrada muitas vezes durante a série, e que se continuassem com o mesmo processo de filmagem se tornaria intragável e tedioso (como chegou perto de ser no começo da terceira temporada).

Mas é importante ressaltar que as circunstâncias do ataque psicótico de Carrie eram outras nesse episódio. O surto não foi por razões bipolares e cronológicas, e sim por ela estar seriamente drogada. E no fim, não podemos dizer que foi tudo em vão como foi no começo da temporada anterior, onde tudo era um plano de Carrie e Saul, e ela não estava tendo ataques coisíssima nenhuma.
Não foi em vão por que Brody retornou. Brody!
Está aí a razão pela qual a Showtime não liberou o episódio para a imprensa. 
E como foi bom ver Damian Lewis e Claire Danes, assim como Brody e Carrie juntos... esses quatro elementos sempre foram a alma da série, e ter esse resquício do que poderia ter sido a continuação com ele vivo foi incrível, apesar de doloroso.

A razão pela qual chegamos a duvidar se Brody estava vivo ou se era somente mais uma alucinação de Carrie (e era), foi porque o casal de atores demonstraram novamente que são, definitivamente, os melhores na televisão americana atual.

Damian Lewis cedeu novamente seu rosto a um estranho Brody, que agia de forma diferente, e falava coisas sem sentido porque, obviamente, Carrie transfigurou o rosto do amado ao personagem de Aasar Khan (um dos líderes do governo Paquistanês, e que a série deixou de uma vez por todas bem claro que estão colaborando com Haqqani), enquanto Claire Danes dava suas fenomenais expressões a uma Carrie em copalpso, horrorizada, maravilhada e cruelmente apaixonada. Carrie tapando os olhos, lembrando vagamente uma criança em completo desespero, chorando com o seu característica sorriso de cabeça para baixo e dando beijos acalorados no "Brody Fantasma" foram de partir o coração. Ela nunca sofreu tanto... e Danes soube nos partir o coração como nunca antes.

Quanto aos outros plots, nada avançou muito. Fomos introduzidos a narrativa à parte de Saul sob cativeiro de Haqqani, e todo o plot não passou de diálogos polêmicos que Homeland adora fazer. Mais uma vez a série introduziu um dos maiores marcos para a história americana, o atentado real ao World Trend Center, para frases polêmicas que acho, particularmente, desnecessárias. 
Mas isso faz parte da, na minha opinião, maior arte de Homeland: o fato da série mostrar não só o lado americano da Guerra ao Terror, mas o lado do Oriente Médio. Dos "terroristas", dos "bad guys". Haqqani chegando em sua residência e revendo sua mulher e filhos depois de anos foi, minimamente, emocionante. E o fato do filho mais velho atirar um sapato em Saul, sem mais nem menos, reflete o ódio igualitário das duas nações que vivem em uma eterna guerra.
No fim de tudo, Saul foi levado para um verdadeiro cativeiro e, por enquanto, será mantido ali.
O resgate à ele foi minimamente citado no começo do episódio, mas totalmente ofuscado pelo surto de Carrie.

Foi um episódio espetacular, melhor ainda que o anterior, apesar de não nos apresentar muitas mudanças. Com certeza Carrie voltará ao seu estado normal quando a droga se esvair de seu corpo, e não será por muito tempo mantida sequestrada pelo Governo Paquistanês por que não faria o mínimo sentido: Além dela ser uma Chefe de Estação da CIA, o ato de drogá-la não passou de uma tentativa de arrancar informações, o que ela já fez ao citar o nome de Brody, e dizer que "o mandou para a morte". Vamos esperar para ver o que tudo isso vai dar, enquanto Carrie e Saul são mantidos reféns pela mesma organização.
Coisa boa não será. Mas é assim que a gente gosta.

Observações:
- Claire Danes não ganhar o Emmy do ano que vem será uma calamidade.
Que saudades do Brody.
- Tragicamente cômica aquela cena do tiro, HAHAHHAHAHA.
Lockhart humilhou, até passei a gostar mais dele.
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Próximo episódio: 4x08 "Halfway to a Donut", assista a prévia:

Yuri Hollanda

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