Review | Homeland - There's Something Else Going On (S04E09)


Um dos melhores (se não O melhor), episódio de Homeland.



Foi bem difícil para mim escrever as seguintes palavras sem me preocupar com a repercussão negativa (ou positiva), que elas podem vir a causar. Fiquei pensando se deveria ou não escrevê-las, pois a responsabilidade é enorme… mas optei por deixá-las, pois a afirmação contida nelas, se analisada, é verídica, mas que está sendo legitimamente e injustamente desmentida.

O fato é que há uma comoção de negação, uma nuvem negra pairando nas opiniões do público a respeito dessa temporada de Homeland. O esforço dos roteiristas, produção, e até mesmo do canal, Showtime, são evidentes para com essa temporada, e mesmo assim o público não dá o braço a torcer para admitir que Homeland, como série de espionagem, encontrá-se no seu melhor momento: nunca antes a série esteve tão centrada, dinâmica, ativa, e o mais importante, BOA, como ela está agora.
E a negação, os olhos fechados, são pela perda de Nicholas Brody, o carismático personagem, que os roteiristas engrandeceram demais para que seu corte fosse aceito com facilidade.
Mas não consigo simplesmente deixar de lado e desaprovar a qualidade da atual Homeland, que é evidente, pelo simples fato de amar Nicholas Brody e não ter superado sua perda. Mas Homeland está melhor do que nunca sem ele, e esse episódio, 4x09, foi a prova disso. 

Comecemos pelo início, então, com a continuidade do cliffhanger "leve" do episódio passado, com Carrie interrogando Dennis a respeito do jogo sujo que ele fez a mando da ISI.
Todo esse plot foi incrível. As cenas de Carrie trancando ele dentro da sala, e Claire Danes mostrando, visivelmente que a personagem estava se segurando para não, simplesmente, partir para a força física, expressando isso por inúmeros palavrões (inclusive, uma das raras vezes em que ela usou "Motherfucker"), foram intensas, e desencadearam a tensão que foi levada durante o episódio inteiro.
A insistência dos escritores em mostrarem o quanto Dennis é desprezível, também foi evidente. O fato dele negar descaradamente e sem escrúpulo nenhum o que estava óbvio, revoltou não só Carrie mas a audiência inteira... e o plano da agente de deixar todos na embaixada cientes, inclusive Martha (que está sendo uma das melhores personagens já introduzidas em Homeland), foi bem pensado, e engrandeceu o episódio a um nível enorme.

Foi então a vez da série construir seu clímax com o resgate de Saul. O plano de trocar prisioneiros pelo ex-diretor da CIA foi mantido em segredo até da audiência, e não foi explicado por palavras ou diálogos, e só foi descoberto por quem estava assistindo quando foi mostrado.
E que sequência incrível...
Toda a produção e direção capricharam tão bem nessa sequência, em construir lentamente uma tensão enorme mostrando, em cortes rápidos, as duas extremidades do estacionamento em que a troca seria feita, que um prêmio para esse episódio não seria o suficiente. Carrie de um lado, Tasneem de outro, uma loira e uma morena, as duas incrivelmente potentes... Mas dessa vez não teve pra Carrie Mathison.

O desenrolar do livramento de Saul foi tão planejado, tão magistralmente bem feito, que deu gosto de assistir. O desenvolvimento do relacionamento entre Carrie & Saul, que vinha sendo há muito tempo desgastado (seja pelo trabalho da agente, pela separação inevitável dos dois, ou pela mudança drástica na personalidade de ambos), foi explorado por meio de um risco que Carrie estava correndo ao atravessar o estacionamento enorme com um menino no centro dele, ao lado de Saul, carregando um colete-bomba. As cenas entre os dois velhos amigos foi emocionante, ao mesmo tempo que extremamente tensa. A sensação era que aquela bomba explodiria a qualquer momento, e junto com a interpretação IMPECÁVEL de Claire e Mandy, o episódio atingiu seu auge.

Mas não foi a bomba do menino que explodiu, e sim uma emocional. Quando tudo parecia calmo, e o episódio já estava perfeito (podia ter terminado aí, que tudo bem), o roteiro novamente nos pega em sua completa imprevisibilidade e nos mostra os três carros da CIA sendo atingidos por mísseis.
Foi fantástico, e uma mínima cena deixou várias perguntas: No telefone, era mesmo Mira, ou era somente algum dos terroristas confirmando que Saul estava no carro? Se foi John que atendeu, ele sabia do plano terrorista, ou só não soube que não era Mira por que não conhecia ela? (Se não foi Mira mesmo). John morreu? Por que o carro em que Carrie e Saul estavam foi o único que não foi atingido por um míssil? Será mesmo que os Talibãs errariam o alvo assim? E o mais importante, quais foram as sequelas (mais físicas) do acidente para os dois (Carrie e Saul)?

Enfim, esperemos que todas essas perguntas sejam respondidas no próximo episódio, que promete ser épico. A cena final, terminando com um dos maiores cliffhangers da série, onde Haqqani e seus seguidores conseguem invadir a embaixada, nos deixa com um gostinha desesperado de quero muito mais... Episódio fantástico, em todos os sentidos. Todos os plots extremamente relevantes, bem conduzidos, bem cuidados, e de extrema ação.
O mais triste, é que teremos que esperar mais duas semanas devido ao feriado de Thanksgiving, onde as emissoras param de transmitir alguns shows por respeito a data... e para a cereja do bolo, a Showtime não liberou prévia do episódio. Que ótimo, não?



Observações:
- Me pergunto por que a Carrie, simplesmente não usou um polígrafo no Boyd? Sei que não é, exatamente, um erro, mas acredito que tenha sido somente para engrandecer o plot todo. E foi muito que bem!
- "You are the traitor, and I am the fucking C.I.A" Um dos melhores quotes da série.
- Revirei os olhos quando o Saul sentou... Mas isso mostra o desenvolvimento dos personagens de um jeito que só Homeland sabe fazer.
- "No more diying", sentiram a dor da Carrie quando ela falou isso?
- Homeland infartou metade da audiência domingo passado com esse susto. Damn!

Yuri Hollanda

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