Crítica | The Newsroom - 3ª Temporada


Pouco depois de anunciar que The Newsroom será, provavelmente, seu último trabalho para a televisão, Aaron Sorkin nos traz a terceira e última temporada – em apenas seis episódios – da polêmica série sobre a equipe da Atlantic Cable News (ACN).

Ainda tentando reaver sua reputação depois dos acontecimentos da segunda temporada, envolvendo a Operação Genoa, a equipe do News Night retorna em um início de temporada explosivo (sem trocadilhos) com o episódio sobre os atentados de Boston. Além de focar, na maior parte do tempo, no aspecto mais interessante, divertido e melhor desenvolvido de The Newsroom, a corrida pela notícia, o primeiro episódio também introduz os arcos da última temporada, balanceando tudo muitíssimo bem.

Boston abriu caminho para Run, o melhor episódio dessa terceira e derradeira temporada. Recheado de tudo que a série faz de melhor e pior ao mesmo tempo – humor forçado e inoportuno (irritante na maioria das vezes), diálogos corridos (ninguém conversa daquele jeito), cenas ensaiadinhas demais para parecerem reais e etc –, Run eleva o nível de todos os plots, coloca o ritmo em máxima potência e dá o tom de temporada final de forma incrível.

Parece perfeito, não é? Pois é, logo depois, a coisa começou a desandar.

É interessante notar que os problemas da última temporada não são exatamente novidade. Depois do segundo episódio, onde todos os grandes plots da temporada do adeus foram apresentados de forma extremamente dinâmica, The Newsroom escolhe, a partir do terceiro, voltar a focar em um dos aspectos mais polêmicos da série: a expressão de opinião. Sorkin, nos episódios que seguem, volta a querer nos vender suas convicções através de seus personagens – o que, aos olhos da crítica, soa prepotente (e eu não discordo totalmente deles).

É como se pudéssemos assistir The Newsroom sob três aspectos: o jornalístico (o dia a dia profissional da equipe do News Night, os procedimentos da profissão e etc), o dramatúrgico (que envolve os romances, a ação e tudo que se espera de uma série de televisão) e o opinativo (no qual o criador expõe claramente suas convicções sobre determinado assunto). Parece que Sorkin fez a escolha de nos dar a visão jornalística e dramatúrgica da série (que, em minha opinião, são as áreas onde ela é melhor sucedida) apenas nos dois primeiros episódios, e a partir do terceiro fazer com que a opinativa guiasse praticamente todos os acontecimentos da temporada.

O conflito que surge a partir de Main Justice prova isso. A compra da ACN por Lucas Pruit serve como pretexto para Sorkin dar início a um debate sobre o novo se sobrepondo ao velho, a velocidade da informação atual contra o jornalismo clássico, as novas formas de comunicação e todas as consequências que esses avanços podem trazer. Porém, o criador de The Newsroom acredita que existem lados nessa história e a tecnologia é a antagonista. Além disso, ele cria uma espécie de situação onde as duas hastes não conseguem conviver juntas – a do jornalismo e a da tecnologia. Mas será que esse embate – que, sim, é completamente natural – foi devidamente utilizado em uma série que se passa no ano de 2013? Toda essa discussão da guerra entre o novo e o velho soa atrasada e o engrandecimento do jornalismo clássico soa desesperado e um tanto arrogante. A internet tem, obviamente, seus prós e contras, porém, é inegável a sua contribuição para a comunicação e o compartilhamento de informações. The Newsroom escolhe apenas retratá-la como vilã e se você não concorda com isso, vai ter simplesmente que engolir (toda essa questão desencadeia muitos acontecimentos e acaba sendo responsável pela morte de um dos personagens mais queridos da série).

Outro problema – que não é novidade, mas não acho justo deixar de mencioná-lo – é o humor absurdamente inoportuno, principalmente nessa temporada final. Sorkin me fez desgostar de Don, justamente quando estou me despedindo dele. Don era retratado como um jornalista sério e competente, mas nos episódios finais ele se transformou em um alívio cômico completamente ineficiente e irritante. Os momentos compartilhados por Don e Sloan nessa temporada foram ou embaraçosos ou inúteis – e diversas vezes eles acabaram sendo as duas coisas.

Mesmo com os problemas – que faço questão de deixar claro que não são novidade, eles são os mesmos desde a primeira temporada – The Newsroom fez uma temporada digna de despedida, com plots grandes e decisivos, que renderam ótimos momentos e diálogos muito interessantes. O elenco e suas atuações foram pontos altos, como de costume: é um prazer inenarrável ver Jane Fonda e Marcia Gay Harden darem seus shows; Kat Dennings foi uma breve e adorável surpresa; B. J. Novak é absolutamente perfeito para seu papel; e o restante do elenco manteve a qualidade e o entrosamento que já conhecemos há três temporadas.

The Newsroom está longe de ser essa bomba que os críticos americanos diziam que ela era. Podia soar prepotente e utópica muitas vezes, mas quando ela acertava, acertava em cheio. Muitos momentos que se passaram naquela redação e com aquela equipe eu jamais vou esquecer. A equipe do News Night vai, sim, deixar saudade.

André de Oliveira

Redes Sociais

SNAPCHAT

SNAPCHAT

ANÚNCIO