Review | Homeland - 13 Hours In Slamabad (S04E10) / Krieg Nicht Lieb (S04E11)


A preparação para o maior 'Grand Finale' de Homeland




Quando percebi que iria atrasar a review da semana passada, e juntar com a do episódio de hoje, comecei a ficar um pouco nervoso. Acontece que como escritor e leitor de reviews, eu simplesmente odeio reviews duplas, e sempre tentei ao máximo evitar que isso acontecesse. O problema é que semana passada não deu pra mim, o domingo acabou chegando, e eu vi que não valia mais a pena escrever a Review do 4x10 isolada, como sempre fiz. Por isso, mil desculpas para quem está lendo essa agora.
Mas Homeland até colaborou um pouco comigo. Desde o 6, temos uma sequência de episódios que dependem um do outro, e com o 10 não foi diferente. É praticamente um episódio dividido em duas partes: a primeira desenvolve o super cliffhanger deixado no final do episódio 9, onde há um ataque inesperado aos carros em que Carrie e Saul estavam, e a segunda mostra as consequências disso, mais focadas em Quinn.

13 Hours In Slamabad (4x10)

Eu, particularmente, esperava uma sequência inicial de ação incrível, e não foi nada disso. Foi tudo muito mal dirigido, sem uma trilha sonora decente, sem ângulos que passassem tensão, sem um timing bom, e o tiroteio foi muito artificial. Aquele pessoal dando acrobacias a cada tiro, e as mortes gratuitas que não passaram impacto nenhum (até a da Fara foi meio... "tudo bem, a Fara morreu").
E o que dizer da cena super vergonha alheia com o Lockhart, Martha, e toda a chefia de alto escalão da CIA trancados dentro do Bunker? As atuações foram tão caricatas... (o que foi o Lockhart jogando a Martha no chão? Morri de rir, pra não chorar). E o DIRETOR da CIA entregar documentos extra oficiais para um terrorista? Se foi coerente para vocês, ainda bem, mas para mim foi um fiasco. Coerência passou tão longe quanto os tiros de Carrie.

Mas enfim, os acontecimentos foram bons, e significativos (uma chacina numa embaixada americana, a morte de Fara, e a "vitória" de Haqqani), só não passaram o impacto necessário... Sinto que a direção caprichou muito mais na explosão do episódio passado, na troca, no resgate de Saul, e na morte de Aayan do que nessa sequência, que deveria ter sido grandiosa. Uma pena.
Então veio a segunda metade, quatro horas depois do terror e da fuga terrorista, desenvolvendo o psicológico de cada um que participou disso. Carrie ficou um pouco de fora (e com razão), já que não participou realmente do ato dentro da embaixada, e ficou apenas escondida atrás dos carros, e o episódio resolveu tirar um pouco do foco dela, e acertou em cheio ao colocar os holofotes em Quinn, o salvador da Pátria, que vem a temporada inteira sendo a base de toda a operação, e limpando a sujeira sangrenta deixada por todos.

Uma coisa interessantíssima nessa temporada é como os personagens mudaram desde o começo dela, e como estão invertidos. Antes mesmo da temporada estrear, Claire Danes havia dado uma declaração de que Carrie estava assustadora nessa temporada, dizendo que a personagem nunca esteve tão coração duro e machucada, resultando em uma intolerância inimaginável. Foi exatamente isso que vimos no começo desse quarto ano de Homeland: uma Carrie sem coração e piedade, matando e sacrificando tudo e todos pelo seu trabalho como chefe de estação, enquanto Quinn ficava apenas de fundo vendo todo o caos acontecer, e chocado com a mudança de comportamento da personagem.
E então depois da derrota, Carrie se vê em uma posição a qual não está acostumada: perdendo. E quem não aceita isso, quem está frio, com sangue nos olhos, e com vontade de vingança, dessa vez, é Quinn, e cabe a Carrie pará-lo.

O episódio então termina com Quinn fazendo um dos seus maiores atos, sequestrando um dos "agentes" do governo Paquistão para conseguir a informação do paradeiro de Haqqani, nos deixando esse enorme cliffhanger nos aguardando durante uma semana. O episódio foi incrível a partir da sua metade, e a primeira me decepcionou muito. Portanto, minha nota para ele é:


Krieg Nicht Lieb (4x11)

Chegamos então ao penúltimo episódio da temporada, onde os nervos não só dos telespectadores estão à flor da pele, mas os dos personagens também.
É interessante sempre analisar o nome dos episódios de Homeland. Esse, mais uma vez, foi super inteligente: uma personagem Alemã apareceu pela primeira vez no episódio como uma suposta ex de Quinn. Em Alemão, o nome do episódio se intitula "Não Amantes da Guerra". O restante dispensa explicações.

Não sei que nível de importância essa personagem terá para a temporada (talvez seja um indício para um suposto tema para a próxima temporada (já confirmada)?). O que importa é que ela deu abrigo para Quinn e ajudou-o a construir uma bomba, que aos poucos fomos sabendo para o que serviria no final.
Achei a introdução dessa personagem um tanto quanto desnecessária e um "facilitador" de roteiro. Isto se ela só servir pra isso, e pronto. Mas tudo pode acontecer, e ela pode vir a ser um grande personagem.

Mas foi incrível eles fazerem a morte de Aayan realmente ter um grande peso para o final da temporada. O rosto do garoto ser usado como forma de protesto da população revoltada com sua morte bruta, foi uma jogada de mestre. A prova de que a temporada foi pensada do início ao fim... Até a ex-namorada de Aayan, que parecia não ter importância alguma agora, foi bem usada. Palmas para esse roteiro magnífico, e que eleva essa temporada a um dos níveis mais altos que essa série já teve.
Não me surpreenderia nem julgaria se alguns telespectadores acharem essa a melhor temporada de todas.

Mas o fato é que Quinn realmente construiu a bomba, e nesse episódio vimos novas facetas do personagem. Ele nunca esteve tão centrado, induzido e certo de algo como agora. Lembrou inúmeras vezes a "Crazy Carrie" que estamos acostumados, quando nem ela estava acreditando que ele pudesse ser tão ousado. A execução do plano dele foi excelente, e levou o público ao delírio, ao caminho da ponta da cadeira, e levando as unhas aos dentes, assim como muitos episódios dessa temporada fizeram.

E o pior ainda estava por vir, já que Carrie não queria deixá-lo fazer o que estava planejando. A agente passando acima da bomba que vimos Quinn implantar, e que ele estava a ponto de explodir, resultou em um dos maiores clímax que a temporada (e a série) já tiveram.. o fato dela impedi-lo de explodir não foi surpresa. Estava mesmo duvidando que isso fosse acontecer... Mas ela pegando a arma para atirar em Haqqani foi demais!

Lembrando que Carrie não impediu Quinn de atirar simplesmente para não matar Haqqani, e sim por que ele estava disposto a sacrificar não só a si mesmo mas a todos que estavam ali. Ela pegar a arma logo em seguida não foi um ato contraditório nem dela nem do roteiro. Ela só queria matar ELE. E as lembranças da morte de Aayan (bem expressas) contribuíram muito para o ato. Ah, e não se esqueçam que ela é meio... impulsiva.
Bom, o cliffhanger deixado é que Dar Adal está supostamente trabalhando para a Haqqani. Mas não se esqueçam do diálogo entre Lockhart e Carrie, deixado no episódio propositalmente para uma base de teorias para esse gancho, e junto com elas, as dúvidas.

Lockhart citou reuniões secretas dentro da CIA, e que ele não estava ciente, supostamente por que está prestes a ser substituído diante do caos que a agência se encontra com o ataque Paquistão.
Essas reuniões podem ser justamente um plano da CIA com Dar Adal para que ele seja um espião duplo, e passe informações a favor da CIA (ou a favor de Haqqani?).
Então vamos aguardar essa finale que parece ser grandiosa... Já podemos dizer que Homeland se reergueu de um jeito que poucas séries foram capazes. A finale só completará e deixará a certeza nessa frase.


Observações:
- Queria conseguir não shippar Carrie e Quinn, mas é impossível!
- A morte do pai foi um pouco... seca demais. Esperava algo mais dramático. Sinto que os roteiristas colocam drama demais onde não deveriam, e pouco no que deviam.
a gostar mais dele.
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Próximo episódio: 4x12 "Long Time Coming" [Season Finale], assista a prévia:

Yuri Hollanda

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