Review | Homeland - Long Time Coming (S04E12 - Season Finale)

Homeland ousa em não ousar.


Essa foi a temporada dos desafios em Homeland. A série enfrentou sua audiência ao matar Nicholas Brody e continuar sem ele, enfrentou todos ao colocar o pior lado de sua anti-heroína protagonista ocupando quase 100% do tempo em tela durante uma nova temporada, e ousou em prometer uma história boa, interessante e que entretenha o seu público. Até esse episódio, ela tinha cumprido todas essas promessas, e superado todas as expectativas.
Até esse episódio.

A impressão que tive ao ver o episódio é que a ousadia dos roteiristas foi mais longe do que eles puderam controlá-la, e por um caminho totalmente irônico, o que deixou o quadro pior ainda: A maior ousadia de Homeland a essa altura do campeonato foi justamente não ousar, nos entregando uma season finale morna, fria e sentimental. Mas notem que em nenhum momento adjetivei o episódio como ruim. É só que depois do cliffhanger anterior, o que a série tinha que fazer era explorá-lo. Dar Adal dentro do carro do terrorista mais procurado da CIA, e vocês, roteiristas, vem explorar o relacionamento de Carrie com a mãe desaparecida? Desculpem, isso era a última coisa pela qual eu poderia me interessar. E como se não bastasse, a maior parte do episódio é focada nisso.

Não me entendam mal, não é um plot ruim. A volta da mãe foi super racional, as circunstâncias para a vida de Carrie, perante o falecimento do pai, também. Mas em plena season finale, um novo plot para se desenvolver? Isso é realmente algo sensato em termos de roteiro, depois de tantos plots diferentes que essa temporada teve? (Morte de Aayan, sequestro de Saul, invasão da embaixada...).
Por outro lado, explorou novas camadas de uma season finale de Homeland (analisando nesse caso, somento o episódio, não o contexto que ele trás consigo), provando que a série gosta mesmo é de surpreender (dessa vez, fez uma finale diferente de todas as outras que já teve, seguindo o caminho prometido, o de ser "nova Homeland"). No meu caso, não foi uma surpresa agradável. A sensação que eu tive foi a de um balde de água gelada sendo jogado sobre mim, e me impossibilitando de respirar diante do choque térmico (nesse caso, choque emocional) que foi o episódio. E isso não é legal, Homeland, não é.

Citarei o beijo entre Carrie e Quinn, claro, tamanha magnitude da cena, e acontecimento para a série (apesar de totalmente esperado). Confesso que tenho uma relação de ódio e amor pela ideia de um novo casal em Homeland. Acredito que a ideia de uma Carrie independente de parceiros amorosos me atraia mais do que uma Carrie sendo o par complexo de uma outra pessoa complexa (não parece que vimos esse filme antes?). Mas uma parte de mim, confesso, amou a cena. Foi interessantíssima, e nunca Carrie pareceu tão feliz (mais uma ironia, já que as circunstâncias carregam a tendência de levá-la exatamente para o caminho inverso).

Mas como nada em Homeland são flores, e esse episódio estava bastante (bastante!) "feliz", na medida do possível, até seus últimos dez minutos, a bomba característica viria a explodir. Bom, pelo menos uma parcela desse explosivo foi lançado aos ares. A outra parte, fica para o ano que vem.
As expectativas para o próximo ano são altas, e os roteiristas tem, agora, inúmeros caminhos agradáveis para seguir: como será a relação de Carrie e Quinn, agora que ele partiu em uma missão "suicida" (pelo menos foi o que o drama com essa partida deixou a entender)? A ideia de ter um Saul contra as ideias de Carrie, e tomando as rédeas da CIA novamente, tendo agora Dar Adal como parceiro, diante da promessa de ter o comando novamente, não deixa de ser interessante. O nojo no olhar de Carrie ao sair foi apenas um mínimo gancho para o próximo ano, mas expressou muito bem que o relacionamento dos dois será turbulento daqui pra frente.

O ano duvidoso de Homeland terminou com um saldo extremamente positivo, apesar de algumas falhas. Foi uma temporada excelente se compararmos ao que poderia ter sido, e aceitável se ignorarmos as expectativas negativas, e analisá-la pelo que foi de fato. O frescor que essa série tão grandiosa estava precisando finalmente se firmou, e continuará por pelo menos mais um ano. Mas minhas expectativas, diferente das do ano passado, estão altíssimas dessa vez. E como o nome do episódio diz, espero que tenhamos um "Long Time Coming" dessa nova Homeland.



Yuri Hollanda

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