Crítica | Para Sempre Alice


O filme conta a história de Alice Howland (Julianne Moore) uma renomada professora de linguística, que aos 50 anos é diagnosticada com um tipo precoce de Alzheimer, de maneira que começa a esquecer gradualmente palavras, nomes, lugares, rostos e tudo que aprendeu durante a vida.
Com uma premissa interessante, o filme vai abordando de maneira rápida e clara o dia-a-dia da personagem principal, sua rotina com o marido John (Alec Baldwin), e os filhos Lydia (Kristen Stewart), Anna (Kate Bosworth) e Tom (Hunter Parrish). Como uma professora inteligente, bem sucedida tanto na vida profissional como pessoal, vai, de repente, perdendo todas as lembranças que fazem da sua vida uma conquista, que constroem sua identidade.

O longa teria tudo para ser uma história fenomenal, com um enredo emocionante e uma atriz do calibre de Julianne Moore para o personagem principal, e está sendo bem aceito pela grande parte da crítica ao redor do mundo, mas na minha visão, o filme não explora toda sua capacidade. Minha justificativa para tal afirmação é simples: ele não convence, não emociona.

Um filme que narra a infelicidade de uma mulher que construiu uma vida maravilhosa em seus 50 anos, e que simplesmente vai, eminentemente, perder a consciência de tudo que possui merecia uma dose maior de sensibilidade para ser contado, e o filme não consegue trazer isso, infelizmente.
Julianne Moore é uma ótima atriz, excelente, uma de minhas favoritas, mas ela está longe de viver em Alice sua melhor personagem, eu falo com toda a certeza do mundo que eu fui muito mais convencida pelo seu personagem em Ensaio Sobre a Cegueira do que por essa professora portadora de Alzheimer que tem, a priori, muito mais apelo.

O filme é veloz e em nenhum momento o espectador se sente entediado, é interessante assistir o degradar dar vida de Alice, como ela vai aprender a lidar com a nova condição, o problema é que o filme é muito regrado, pragmático, com aquelas coisas clichés que já estamos cansados de ver, como por exemplo, o momento que ela acaba se urinando por esquecer qual era a porta do banheiro, já era claro que isso ia acontecer assim que ela mencionou que iria ao banheiro, portanto, em vez de sentir pena ou solidariedade você apenas fica esperando em que momento o filme vai realmente começar a ter um diferencial, começar a ser algo que te provoque qualquer coisa exceto indiferença ou curiosidade para saber o final.

Acredito que existiu alguma espécie de intenção em focar na relação mãe e filha entre Alice e Lydia, e com isso trazer alguma empatia por essa ligação que antes da doença era tão fria e distante, outro almejo não alcançado, pois a relação das duas não desperta nada, não sei se é culpa da inabilidade de Kristen Stewart, ou se simplesmente o roteiro não ajudou mesmo, mas as cenas das duas conseguem ser as cenas mais chatas do filme.

Por fim, a cena final do filme, com absoluta certeza, foi culpa de Kristen Stewart não ter funcionado, naquele momento é notável a tentativa de fazer daquela cena algo absurdamente tocante, um momento em que se sentisse a dor da personagem e principalmente das pessoas ao seu redor, que viram uma mulher brilhante indo aos poucos se degradando por causa de uma doença insanável, porém colocaram essa responsabilidade nas mãos de quem não devia (Stewart), e acabou que o final ficou apático, incompleto, vazio, e o filme termina e você nem percebe, simplesmente porque a última cena faz você olhar para o chão e ficar contando as lajotas. Um triste resultado para um filme que poderia ter sido maravilhoso.



Lara Gutierrez

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