Crítica | Cinderela (2015)


Cinderela é a primeira vez que a Disney tenta de fato adaptar uma de suas animações de forma fiel para os cinemas, mas será que um remake como esse funciona? A resposta é fácil: sim. Com Alice nos Pais das Maravilhas (2010) a empresa percebeu que as pessoas tinham interesse em ver mais de seus contos clássicos. O filme era uma continuação da animação de mesmo nome e fez mais de 1 bilhão de dólares de bilheteria e com isso fez que uma nova era de live-actions surgisse no estúdio. De lá pra cá a Disney já lançou Oz: Mágico e Poderoso (2013), Malévola (2014) e agora com Cinderela decide voltar para perto de suas origens.

A verdade é que na atualidade, um filme da personagem parece arriscado, principalmente se apontarmos o sucesso que foi a pegada feminista e adorada por muitos de Malévola, porém, mesmo sem precisar reinventar a roda, Cinderela aqui é uma pessoa muito mais corajosa que sua antiga encarnação e consegue ser assim sem precisar sacrificar toda a sua bondade e gentileza, que descobrimos ser algo que sua mãe, vivida brevemente por Hayley Atwell (Agente Carter), pregava. Também foi tirado da personagem o seu desejo principal de se casar com um príncipe para ser uma pessoa feliz, algo que é muito discutido hoje em dia e que até a própria Disney tirou onda no animado Frozen (2013). Lily James (de Downton Abbey) é a protagonista e apesar de não parecer ser a melhor opção quando se imagina os traços do animado, encarna muito bem a parte de gata borralheira e inocente de Ella. Fica a cargo de Cate Blanchett viver a madrasta mais conhecida de todos os contos de fadas, sendo praticamente a melhor coisa do filme e, diferente do feito em Malévola, jamais chega a apagar as cenas de James.

O desenvolvimento do relacionamento entre Ella e sua madrasta ganha mais nitidez nessa versão e vemos pouco a pouco como a menina deixou de ser como “filha” para se tornar “empregada”. Para o príncipe foi escalado Richard Madden de Game of Thrones, que é o elo fraco do elenco e não tem lá muita química com a maior parte dos personagens que contracena, inclusive seu interesse romântico. A fada madrinha é Helena Bonham Carter no papel mais esquisito que se pode imaginar. Apesar de divertida, as cenas dela são escassas a não ser pela narração que acompanha o filme.

Como eu disse anteriormente o roteiro, que é assinado por Chris Weitz (A Bússola de Ouro), é basicamente a mesma historia que já foi contada a séculos com mudanças aqui e ali, mas em sua defesa ele consegue fazer com que todos os personagens tenham camadas e personalidade. Um mérito bom quando se imagina a falta de profundidade dada a personagens em filmes como esse. O diretor Kenneth Branagh (Thor) junto ao fotografo Haris Zambarloukos e sua equipe de direção de arte decidiram ir por uma rota um pouco mais “real” que os cenários com extensivos CGI que costumam ser usados nesse tipo de filme. A decisão é sensata já que nos momentos em que o filme dependeu da computação gráfica ele decepcionou com sua extrema artificialidade. A Trilha sonora de Patrick Doyle é sutil e em alguns momentos consegue se destacar mesmo sendo um tanto genérica e é decepcionante ver o desperdício do que poderiam ser homenagens ao desenho animado que era um musical e tem diversas melodias famosas para serem usadas no filme.

A conclusão é que Cinderela faz exatamente o que promete, conta exatamente o que promete e consegue ser satisfatório para quem só espera uma recontagem. Eu não vejo o porque uma criança iria preferir a versão real ao desenho animado, já que querendo ou não crianças costumam preferir os desenhos, mas o filme tem sua magica, devendo ser agradável para o publico que a Disney imagina que vai consumi-lo e talvez acabe sendo ainda mais agradável para os que cresceram com essa historia e que agora vão ter a chance de vê-la ganhar vida.


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