Crítica | A Série Divergente: Insurgente


O longa é o segundo filme da franquia inspirada na trilogia literária de Veronica Roth: Divergente, Insurgente e Convergente.  Na sequência, acompanhamos Tris (Shailene Woodley) e Four (Theo James), transformados em inimigos públicos. O governo é personificado na imagem de Jeanine Matthews (Kate Winslet), que busca fazer uma limpeza em toda a sociedade daqueles que são “Divergentes”, por esses apresentarem ameaça ao mecanismo de facções instalado, que nada mais é que uma ditadura mascarada.

É com essa premissa que voltamos à saga de Tris Prior, que nesse segundo filme se mostra bem mais forte e dura que no primeiro, depois de algumas cicatrizes e perdas, ela é forçada a um amadurecimento precoce. Quanto ao Four, ocorre o contrário, ele está mais ameno, menos pedra, e bem mais claramente apaixonado pela Tris. A atuação e sintonia dos dois estão muito boas, e é um casal que dá vontade de torcer, apesar da história deles (como casal) ser absurdamente sem graça.

O livro “Insurgente” é definitivamente melhor que “Divergente”, por isso se esperava que a adaptação cinematográfica também ficaria milhões de vezes melhor, como ocorreu na saga “Jogos Vorazes”, mas, infelizmente, a troca de diretor não foi benéfica.

Em “Divergente” fizeram um filme bem legal de um livro mediano, em “Insurgente” poderiam facilmente fazer um filme incrível de um livro muito bom, mas optaram por mudanças bruscas no enredo, coisa que eu até levo numa boa quando mantém a essência e serve para dinamização da história, mas a partir do momento que simplesmente ignoram personagens, acrescentam cenas desnecessárias em detrimentos de cenas que seriam incríveis de assistir, além de modificar completamente as razões e objetivos do antagonista, o filme se perde.

Mesmo analisando o filme como alguém que não leu (por opiniões que eu ouvi), o filme ficou um tanto vago, diálogos muito longos, e tudo meio repentino e corrido, além de personagens importantes como a Christina (Zoe Kravitz), Evelyn (Naomi Watts), Johanna (Octavia Spencer), Marcus (Ray Stevenson), que são de muita importância e participação foram completamente reduzidos à figuração, e os outros membros da audácia que se tornam amigos do casal protagonista, nem se fale! O filme simplesmente se restringiu a Tris e Four, um equívoco que abalou sem dúvida o aprofundamento na distopia, reduzindo o problema de uma sociedade a duas pessoas.

Apesar de tantos deslizes, o filme como um todo não foi ruim, apenas tinha material para ser bem melhor, mas é preciso destacar seus pontos altos como a cena do soro da verdade na Franqueza, as atuações tanto do Theo James como da Shailene Woodley foram bem emocionantes, em especial a dela. O Miles Teller consegue, com seu notável carisma e talento, fazer do Peter um personagem querido, ponto pra ele. Kate Winslet está ótima, como de costume (diferente do Caleb de Ansel Elgot que está ofensivo com uma péssima atuação, não sei a razão, já que ele é ótimo em "A Culpa é das Estrelas"). Os efeitos especiais estão muito bons, uma pena o 3D ser ridiculamente desnecessário.

Talvez o filme vá divertir mais quem não leu o livro, porque tem bastante ação, explosões, tiro, porrada, romance na medida certa. Agora para os fãs que esperavam alguma espécie de cópia do livro, ou pelo menos 80% parecido, podem esperar decepção, porque não é nenhum “Percy Jackson” da vida, mas com certeza, deixaram muita coisa de lado, focaram em outras e tomaram novos rumos. E que venha Convergente – Parte 1.


Lara Gutierrez

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