Resenha | A Moça de Copenhague

Sinopse: Europa, início da década de 1920. O casal de pintores Einar e Greta Wegener levava uma vida aparentemente normal, em sua casa à beira do mar Báltico. Determinada tarde, na falta de uma modelo para que possa concluir uma obra, Greta pede ao marido que vista algumas peças femininas e pose para ela. Atendido este pedido, algo transforma para sempre a vida do jovem casal Wegener.

Título: A Moça de Copenhague
Título original: The Danish Girl
Autor(a): David Ebershoff
Páginas: 332
Editora: Rocco

É fato que o movimento LGBT anda ganhado muito espaço nos últimos anos, e com toda a sua devida razão. O grupo transsexual talvez seja o que mais sofre dentre as quatro camadas que reivindicam seus direitos e infelizmente, sofre preconceito em diversos espaços sociais. O que muitos não sabem é que na década de 20 houve um conhecido pintor da Dinamarca chamado Einar Wegener que se transformou, ao decorrer dos anos, em uma bela moça denominada Lili Elba, e se tornaria a primeira transsexual a realizar a cirurgia de mudança de sexo. Essa história está sendo conhecida agora graças ao trailer do filme A Garota Dinamarquesa que saiu dias atrás e narra a história contada neste livro. 

A trama foca, do começo ao fim, nessa transição. De início, somos apresentados ao casal de pintores Einar e Greta Wegener. Ambos levam a vida sem muitos problemas, até o dia em que Greta pede ao marido para usar as vestimentas de Anna para assim, terminar de pintar o quadro da amiga. A partir daí, Einar questiona-se sobre sua existência e se realmente sente-se confortável em seu corpo. Em um certo momento do livro, percebemos que a vontade de Lili de se libertar já viera desde sua infância, então a afeição de Greta por Lili fica cada vez mais em evidência. Uma coisa que me impressionou muito no livro foi a forma com que a Greta lidou com a transição do marido; se por um lado ela perdera o homem que amava, por outro ganhara uma amiga de confiança. Mas falaremos disso mais adiante.

O livro não enfatiza uma crítica social aos preconceitos, então quem for lê-lo achando que o foco é esse talvez fique um pouco desapontado(a). O destaque principal é a mudança de identidade de Einar para Lili, e isso é representado de uma forma extremamente bela, relatando como eram os pensamentos de Lili ao se sentir presa ao corpo de Einar. Mas apesar dos preconceitos não serem o destaque, ainda são sim, citados em alguns trechos da história. Podemos observar como a medicina daquela época era estúpida o suficiente para tratar o caso de transsexualidade como uma doença, chegando até mesmo a compará-la com a esquizofrenia.

A linguagem usada pelo autor é excelente, mas confesso que em alguns momentos me senti perdido na transição do tempo, porque em alguns momentos eu ficava confuso em relação à época em que a trama se passava, problema que depois é resolvido devido às explicações dos personagens sobre determinado fato. A trama não se mostra cansativa em momento algum, e prende do começo ao fim. 

Por fim, queria relatar o que me deixou mais preocupado em relação ao trailer do filme. Eu sei que não se pode analisar o filme por um simples trailer, mas me preocupou muito ao ver a Greta que estava sendo mostrada lá que estava muito diferente do livro. Sei também que o livro não a fonte mais confiável sobre a verdadeira história (o próprio autor argumenta isso na nota final), mas me desagradou muito ver a Greta não aceitando o fato do marido querer se libertar, sendo que no livro ela é a que mais apoia a Lili a fazer a cirurgia. Espero que isso tenha sido só uma impressão, e que no filme não causem essa impressão. Mas só conferindo para saber. 

OBS: Quanto à polêmica sobre um ator cis ser escolhido para interpretar a Lili no filme, confesso que fiquei dividido. Sei que o Eddie Redmayne é um bom ator e acho que ele jamais desapontaria no papel, mas seria muito mais emocionante acompanhar uma atriz trans para o papel principal. Não é um motivo pelo qual eu deixaria de assistir, mas se fosse uma atriz trans no lugar seria uma grande representatividade para o grupo social. 


Enrico Scafutto

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