Review | Doctor Who - The Magician's Apprentice (S09E01 - Season Premiere)


Uma premiere com cara de finale. Isso resume bem o que é The Magician's Apprentice.  


Sinopse: Onde está o Doctor, e o do que ele está se escondendo? Quando ações do passado voltam para assombrá-lo, velhos inimigos reaparecerão, e a sobrevivência de Clara e Doctor parece impossível.
Com um senso épico maior, e com um episódio ainda mais grandioso que The Impossible Astronaut, Doctor Who retorna com o pé direito pra sua nova temporada e, dessa vez, Steven Moffat não espera nem os créditos rolarem pra começar a brincar com a cabeça de quem ta assistindo.

Logo nos primeiros 10 minutos mesmo, já temos um plot que daria pra sustentar uns 3 epsiódios, e visitamos planetas, lugares e pessoas que há muito tempo não viamos. O que só ajuda a criar a escala da história, além de ser um belo fan service.  Mas vamos do começo...

The Magician's Apprentice se inicia no meio de um capo de batalha, em uma guerra tão antiga que a própria tecnologia deixou de ser relevante. No meio dessa guerra temos um garoto em perigo, "apenas uma criança" a gente pensa, até que, bem... até que a primeira bomba é solta.

Presa em um campo minado nada menos que bizarro - mas visualmente incrivel e que só podia sair da cabeça de alguém que criou os Weeping Angels - essa criança grita por ajuda até que o Doctor atende o chamado. Algo que ele claramente se arrepende ao descobrir que o garoto é ninguém menos que Davros, o futuro criador dos Daleks. Assim, em meio da guerra entre Kaleds e Thals, o Time Lord se vê em um dos seus antigos dilemas, e a expressão de horror no rosto dele ao descobrir o nome do garoto, é tão impagável quanto a que ele fez na descoberta da Missy. E o que vêm a seguir é tudo consequência desse ato.

YOU BLOW MY MIND

E por falar em Missy, ela é a alma do episódio aqui, e rouba a cena desde sua primeira aparição. Seu retorno, como ela mesmo diz, era inevitável e surpresa pra ninguém, até porque, ninguém comprou aquela morte dela em Death in Heaven (se não há corpo, não há morte!), e a loucura dela não diminuiu nesse intervalo de tempo também. 

Aqui ela aparece à procura do Doctor, que depois do encontro com o pequeno Davros, aparentemente sumiu. E como ela não consegue encontrá-lo, ela vai buscar ajuda da pessoa mais próxima dele: Clara. O que não quer dizer que ela se tornou boa, e ela demonstra isso da melhor/pior forma possível.

A dinâmica entre elas é a coisa mais divertida de se ver, e embora um pouco diferente do que eu esperava, compensa totalmente pela falta de interação na temporada anterior. Sim, elas ainda deixam evidente que não se gostam, mas dá pra perceber que também rola um certo respeito múto entre elas.

A parte mais interessante, porém, é ver como elas se conhecem em um certo nível. Clara conhece a imprevisibilidade de Missy, e Missy conhece a obsessão da companion. Então, pra que Clara se sinta a vontade com as duas trabalhando juntas, Missy deve ceder o controle da situação pra ela. 

Isso, aliás, dá a oportunidade de mostrar como Clara tem evoluído e se mostrado cada vez mais independente. Não apenas ela foi capaz de lidar com Missy sozinha, pondo um fim no pequeno caos que ela estava causando, como ela também foi capaz de auxiliar a UNIT, e mostrar uma visão totalmente diferente da situação. Pois enquanto Kate se preocupava na vida dos passageiros, Clara via o todo ao invés de se preocupar só com uma parte - uma paralelo com suas ações em In The Forest of the Night/Flatline, e mais uma evidência de que ela ta cada vez mais parecida com o Doctor. 

Os diálogos entre as duas ainda nos apresenta um lado da relação Missy/Doctor muito pouco explorado até então, e que só deixa tudo mais interessante de se acompanhar. O que rola ali é a amizade entre duas pessoas com objetivos e motivações diferentes. Uma carnívora e um vegetariano, como diria Moffat, e é apenas isso. Algo que ele também fez questão de deixar claro, sem nenhum subtexto.

Quando Capaldi e Gomez são colocados juntos em cena, inclusive, é apenas isso que você enxerga. Eles são parceiros de crime instantaneamente. Uma química digna de Delgado/Pertewee.

Clara continua a duvidar da extensão dessa amizade durante o episódio:
Clara: Como vocês podem ser amigos? Missy: Por que não seriamos?
Clara: Vocês ficam brigando. Missy: Exatamente!
E esse é também um tapa na cara de quem questionava a amizade entre Clara e Doctor durante a 8ª temporada.

"Do not go gentle into that good night."


Quando Clara e Missy finalmente encontram o Doctor, ele já estava festejando por três semanas, e a espera pra sua aparição vale a pena (ele fica ausente mais da metade do episódio). A "grande entrada" dele é um show a parte, literalmente. Onde mais você teria um senhor, tocando guitarra em cima de um tanque de guerra, no meio de um salão medieval? Pois é...  Não duvidaria se essa cena vier a se tornar a mais memorável da era Capaldi, porque DUDE! As reações da Clara falam por todos.

Nós não vemos mais aquele Doctor sombrio e fechado aqui, e é um quase um choque ver ele sendo tão carismático com seu público e aproveitando a vida que ele acha que lhe resta, felizmente o desenvolvimento que o personagem ganhou na temporada anterior faz tudo parecer natural, e ao mesmo tempo que ele aparece mais feliz ali, ele também parece mais vulnerável. E Capaldi é incrível por dar tantas camadas ao seu Doctor.

Clara e Missy não eram as únicas a sua procura, e quando Colony Sarff - servo de Davro que foi responsável pelo fan service no inicio do episódio, e por um dos melhores efeitos especiais usados na série até hoje (a transformação dele é incrivel!) - encontra o Time Lord, as coisas voltam a ficar sombrias.

Vemos então um Doctor envergonhado a partir dali, envergonhado de ter abandonado uma criança no meio de uma guerra, e com um senso de obrigação e culpa. Disposto a compensar pelo que fez, mesmo sabendo que isso pode lhe causar a própria morte. Assim, ele, Clara e Missy vão parar em Skaro, planeta natal dos Daleks destruído ainda na era do 7th, e que agora foi reconstruída das cinzas. O que aterroriza até mesmo Missy! Que ao reagir a imagem da cidadela, só intensifica a gravidade daquilo.

Obviamente, os daleks também estão de volta, e ao trazer o terror psicológico para as criaturas, que dessa vez não trazem ameaças vazias, e "brincam" com as vítimas antes de matá-las, Moffat volta a trazer um senso de terror pra eles. E como se não bastasse, ele ainda nos deixa na pele do Doctor, que, incapaz de fazer qualquer coisa pra impedir, é obrigado a assistir as mortes de Clara e Missy. Além da destruição da sua própria TARDIS.

Ok, as mortes podem não ter sido convincentes, uma vez que a solução pra elas já pode ter sido apresentada, mas o efeito que elas tem no Doctor é real, e ver ele implorando, de joelhos, pela vida da Clara ainda é doloroso. E mais que isso, nós já sabemos do que ele é capaz de fazer pela Clara. Afinal, esse é o homem que estava disposto a matar a amiga de infância por ela. O último momento do episódio, então, chega como um choque ao mostrá-lo apontando a arma para uma criança, em uma tentativa desesperada de salvar um(a) amigo(a). Mas ele seria capaz? Mesmo que pela Clara?

Há 40 anos ele fez a seguinte pergunta para Sarah Jane: "Se alguém do futuro te apontasse uma criança, e lhe dissesse que a essa criança se tornaria o puro mal, um ditador cruel que destruiria milhões de vidas, você então seria capaz de matar essa criança?"

Agora chegou a vez dele mesmo responder a questão.
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The Magician's Apprentice pode não ser perfeito, e seu maior problema é o fato de ser apenas a parte de um todo, fazendo com que a história dependa da sua segunda metade pra provar seu valor - O que pode gerar certa desconfiança se tratando de Moffat, principalmente com tantas perguntas a serem respondidas. Mas ainda assim, é possivelmente uma das melhores aberturas da série, e além de ter uma construção e narrativa incríveis (como eu sentia falta da não linearidade das histórias), consegue equilibrar o clima tenso, com o humor "bobo", de uma forma que o plot não fique cansativo ou exagerado. Sem falar que fazia tempo que a série não brincava com a própria mitologia de uma forma tão boa. 

E vocês, o que acharam do episódio? 

Obs: 
1 -Afinal de contas, quem é o Aprendiz??
2 - Clara bi é canon?
3 - Será que Missy finalmente aprendeu que oferecer ajuda pro inimigo dá errado pra ela e usou isso a favor? 
4 - Pra quem se interessar, Genesis of the Daleks, arco da era do 4th, tem ligação direta com esse episódio. E Skaro foi originalmente destruída na era do 7th, no arco Remembrance of the Daleks.
Promo do próximo episódio:

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