Resenha | Lua de Larvas


“Os ‘e se’ são infinitos como as estrelas.”


Titulo: Lua de Larvas
Titulo Original: Maggot Moon
Autor(a): Sally Gardner
Editora: Wmf Martins Fontes
Ano: 2014
Páginas: 291
Sinopse: Standish Treadwell é um jovem disléxico que vê o mundo de maneira diferente da maioria. Graças a essa visão, ele percebe que o mundo lá de fora não tem que ser necessariamente cinzento e opressor. Quando seu melhor amigo, Hector, é de repente levado embora, Standish percebe que cabe a ele, a seu avô e a um pequeno grupo de rebeldes enfrentar e derrotar a opressão permanente das forças da Terra Mãe. Com o pano de fundo de um regime implacável, disposto a tudo para vencer seus rivais na corrida para chegar à Lua. Este impressionante Lua de larvas é o novo livro da premiada autora Sally Gardner.

Se você está pensando que lerá só mais uma distopia, preciso dizer que você está enganado. Fazendo referência a cenários reais já tão bem conhecidos da nossa história, como a Alemanha Nazista e a corrida espacial vivida na guerra fria por URSS e EUA, a distopia criada por Sally Gardner, nesse período de tantos títulos diferentes mas que contam uma mesma história, pintou o estilo de forma inédita.

Após o sumiço inexplicável de seus pais, Standish fica apenas com seu Avó vivendo na área 7 até que para a antiga casa de seus progenitores se mudam o Sr. e Sra. Lush e seu filho Hector, que viriam a mudar de uma vez por todas a vida do protagonista pois o desenrolar da narrativa se dá a partir do também misterioso desaparecimento da família Lush.

"Tinha me ocorrido então que o mundo era cheio de buracos, buracos nos quais você caía para nunca mais ser visto. Eu não conseguia ver a diferença entre o desaparecimento e a morte. Pareciam a mesma coisa para mim, deixavam buracos. Buracos no coração. Buracos na vida."

A trama viaja do presente para o passado diversas versas para ambientar a relação dos dois garotos, a relação de quase irmão criada por eles é o que move nosso protagonista a enfrentar de frente desafios que resultariam em severas punições para ele e seu avô, enfrentar o sistema da famigerada “Terra Mãe”.

O livro em primeira pessoa sob a perspectiva do jovem Standish Treadwell nós apresenta seu mundo, destruído e cheio de dificuldades, com muita imaginação e esperança em dias melhores. Nessa ambientação, sob o olhar de uma personagem ingênua e bem incomum que a premiada escritora britânica traz à tona discussões sociais tão atuais como o bullying.  

Além da excelente diagramação, o livro conta com uma serie de ilustrações no decorrer das páginas que contam uma história paralela mas que funciona como uma metáfora da narrativa principal, isso tudo coberto por uma linda composição de arte que compõe as capas e lombada do livro que vão com certeza assumir posição de destaque em sua estante.


Com suas 291 páginas, tamanho parecido com um Pocket, linhas bem espaçadas e letras grandes, Lua de larvas proporciona uma leitura rápida e agradável, mas sem deixar de fazer pensar e de nos tocar.

Com relação a nota, eu tive que fazer uma análise bem especial, pois esse livro visto apenas por um aspecto X ou Y teria notas bem diferentes. No quesito texto, por exemplo, a autora realmente consegue trazer para as páginas a ingenuidade da criança que o narra, mesmo se tratando de uma realidade devastada, a narrativa é muito simples, não se aprofundando muito no universo descrito sendo em alguns momento até bem bobo se levarmos em consideração as diversas temáticas pesadas abordadas. Agora, em contrapartida, se juntamos o texto, a arte, a crítica e analise social e os lindos relacionamentos desenvolvidos, como a forte amizade entre Standish e Hector, temos um conjunto de obra ímpar que merece ser lido e relido sempre que houver um tempinho livre. 



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