Review | Homeland - Separation Anxiety (S05E01)


'Carrieland' nunca pareceu tão promissora.



Depois de uma temporada totalmente reformulada, lutando pela simpatia de seu público (muitos dos quais não tiveram paciência para continuar), Homeland retorna para o seu quinto ano mostrando pela segunda vez que não tem intenção alguma de se prender à laços de sua era de ouro.
Dois anos depois dos eventos da quarta temporada, a série abre com uma Carrie quase irreconhecível, estabilizada socialmente e mentalmente, morando em Berlim, cuidando de Franny (sua filha com o falecido Nicholas Brody), e com seu atual namorado, Jonas, também advogado, em seu novo emprego fora da CIA, sendo Chefe de Segurança na During Foundation - instituição a qual não é bem explicado seu papel, e o porque de uma certa rivalidade com a CIA.

Particularmente, acho que o ponto forte de Homeland são suas referências a acontecimentos políticos reais, transformando estes casos em plots que enriquecem a trama enormemente. Nessa temporada, tivemos inúmeras referências: os refugiados da Siria, o caso Edward Snowden - esse sendo uma das principais inspirações para a temporada -, a política Alemã e, como não poderia deixar de ser, a constante crítica a como o governo dos Estados Unidos lida com o Terrorismo. Todas essas referências começam a moldar uma temporada que carrega em si uma grande expectativa da audiência, sedenta por informações depois da season finale passada (bastante fria e com poucas respostas).

Tudo começa com uma invasão cibernética feita por hackers, sequência brilhantemente dirigida, na qual podemos ver o sistema operacional da CIA sendo invadido, enquanto também assistimos aos próprios hackers conseguindo as informações: uma suposta interação entre o governo alemão e americano articulando algo muito grande (projeto esse mantido em segredo, mas constantemente discutido durante o episódio). O vazamento é tão enorme, que mobiliza todas as estruturas da Inteligência Americana que, para comprovar se esses documentos vazados são reais, procuram Carrie para analisá-los e passar-lhe informações de dentro da Fundação, sendo ela uma ex-funcionária da CIA. Ela, obviamente, recusa as propostas.

Quinn é o protagonista do diálogo da vez onde Homeland critica a posição dos Estados Unidos de serem erroneamente e manipuladamente vistos sempre como os "bonzinhos" de qualquer história. Quando ele entra em cena, está mais rígido do que já era. Peter acaba de voltar da Siria, que está devastada e em guerra, e é ouvido diante de grandes nomes da Inteligência Americana. Uma das críticas mais pesadas aos Estados Unidos depois de cinco anos de série, devo dizer. O show tocar na ferida hipócrita do governo americano de querer que a situação de guerra se resolva sem que eles precisem ajudar com suprimentos, ou com qualquer outra coisa, mas ainda assim saírem bem na fita, foi de uma coragem extrema (e já gerou inúmeros comentários por toda a internet).

E enquanto tudo isso acontece, Carrie é paralelamente (mas obviamente há uma conexão com a atual situação na CIA) obrigada pelo seu chefe a viajar para o Líbano, um dos locais mais atingidos pela crise dos refugiados, e que se encontra em situação de guerra. Ela, atordoada, tenta de todas as formas reverter essa situação, convencida de que a During Fountation não tem uma equipe de proteção suficientemente boa para cuidar dela no Líbano. Com isso, ela vai pedir ajuda ao representante da Hizbollah (que atende ao seu pedido de um modo bem agressivo, sequestrando-a. Hizbollah, para quem não sabe, é uma organização social do Líbano, que ajuda o povo em projetos sociais), para que ela e sua equipe consigam fazer seu trabalho no local sem serem machucados. O problema é que o rapaz acaba se revelando um ex ajudante de Abu Nazir, e pai de um dos meninos que Carrie matou em seus ataques à drone enquanto agente da CIA.
Tudo isso só quer dizer uma coisa: você pode tirar a moça da CIA, mas não pode tirar a CIA da moça. Carrie se vê enrascada, cercada pelo seu passado que aparentemente irá lhe perseguir para sempre.

Com ótimas atuações, plots interessantíssimos, e um ritmo satisfatório, a série abre sua nova temporada da forma que o público esperava que seja. Não há muito o que dizer ou esperar de concreto do restante, diante de um enredo tão misterioso, sólido e escondido (a Showtime liberou vários trailers, mas sempre com as mesmas cenas). A premiere deixou um gostinho de esperança e entusiasmo para aqueles que gostam de um bom drama político. E isso Homeland sabe fazer como nenhuma série faz. Que essa nova fase continue o legado da série como uma das melhores atualmente e nos traga tudo de bom que tem para oferecer (e mais um pouco).

E você? O que achou do retorno de Homeland? Comente!

Observações:
- Não há nada que me irrite mais nessa série do que o Dar Adal.
- Antes, eu gostava da amizade do Saul e da Carrie. Mas ela se tornou tão tóxica, que acho o caminho mais fácil da Carrie se machucar. Então espero que a distância entre os dois dure.
- Quinn está mostrando que veio de coração duro mesmo!



Prévia do próximo episódio: S05E01 "The Tradicion of Hospitality"

Yuri Hollanda

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