Review | Homeland - The Tradition of Hospitality (S05E02)



Homeland nos faz sentar na ponta da cadeira novamente.




Depois da ótima season première, Homeland aparece em sua segunda semana quebrando um padrão que vinha mantendo desde seu início: nunca um plot explodiu (literalmente, podemos dizer) tão cedo em uma temporada do show. “The Tradition of Hospitality” colocou as estacas dessa nova temporada nas alturas, conseguindo ser ousado, com um clímax de arrepiar, construindo uma tensão de roer as unhas, e com um enredo e ritmo inovadores e audaciosos (características que Homeland precisava recuperar com urgência).

O nível da tensão construída desde o início do epsiódio, quando as palavras “perigo”, “segurança” e “ataques” foram constantemente inseridas nos diálogos de negociação entre Carrie e membros da equipe de Hezbollah para que tudo corresse bem com sua passagem pelo Líbano sendo uma funcionária da Fundação During (que precisava de verba de representantes que atuavam no local, e queriam Marketing para ajudar aquela área necessitada), foi as alturas.
Acompanhamos com closes nas expressões de Carrie (que Claire Danes faz brilhantemente) e começamos, pouco a pouco, a sentir aquelas reviravoltas no estômago. Depois de cinco anos de Homeland, sabemos muito bem o quanto essa série é ousada. E em determinado ponto já não era segredo que toda essa tensão iria dar em alguma coisa bem grave. E assim foi.
O ataque aconteceu em forma de um homem-bomba surgindo no meio da multidão que assistia o discurso de Otto During, presidente da Fundação. O parceiro de segurança de Carrie deteve o rapaz, mas o clímax não parou por aí. Durante a fuga e o alvoroço que aconteceu por causa do terrorista, há uma explosão que compromete tudo e que Carrie percebe com antecedência (caso não percebesse, provavelmente estariam todos mortos!)

Destaque para a cena de Carrie chorando no banheiro, rezando, pedindo a Deus para que sua vida antiga não retornasse à força. Vemos aí o quanto a personagem mudou de dois anos para cá. Depois das gravíssimas decepções na temporada passada, depois de toda a construção para que Carrie chegasse a conclusão de que sair da CIA seria o caminho certo, ela se vê encurralada em seu antigo mundo de novo. Um mundo que ela quer distância, devido às mortes que carrega nas costas e as lembranças que ela gostaria que não a assombrassem.

Juntamente com o plot mais interessante da série, há outros dois secundários: Saul como diretor da CIA lidando com Alisson, a nova chefe de estação de Berlim, que começa a mostrar as garras. A pedido da embaixada Alemã, a qual sofreu seríssimos danos devido a uma invasão no sistema da CIA, comprometendo um projeto entre o Governo Alemão e Americano, ela se vê obrigada a admitir a culpa do ocorrido e da invasão. Saul intima-a a fazer isso, por ela ser uma veterana, e para que os alemães abaixem os ânimos, para que eles continuem com uma boa relação. Saul vê o jogo mais à frente, ele sabe que se os Alemães conseguirem a cabeça de uma veterana como Alisson, a CIA sai mais errada do que eles na história. E colocando na balança, aparentemente, para a CIA, vale mais a pena sair como a irresponsável da história do que perder o acordo com os alemães.
Alisson, obviamente, fica revoltada. Dentre os diálogos histéricos entre Saul, ela o pergunta: “Se eu fosse Carrie Mathison, você estaria me protegendo e não me jogando às feras”. Percebe-se aí a rixa (que muitos podem chamar até de “inveja”) de Alisson em relação a Carrie.
E por causa disso, ela é uma das suspeitas na reviravolta final apresentada no final do episódio.

Como foi mostrado no final do episódio passado, Saul contrata Quinn como “matador de aluguel” de pessoas que supostamente oferecem alguma ameaça aos planos da CIA. Tudo funciona da seguinte forma: Saul coloca o nome de uma pessoa dentro de um envelope, a foto da vítima e o endereço onde Quinn pode encontra-la, dentro de uma caixa de correio. Quinn vai ao correio, pega o envelope, mata a pessoa que Saul pediu, recebe por isso e manda a prova da morte (uma foto tirada de seu celular).
No episódio passado vimos Quinn matar um rapaz dentro do seu próprio apartamento, explodindo o edifício. Nesse episódio, vemos ele atrás de uma mulher que aparentemente traficava crianças. Ele a mata, fria e calculadamente, tira uma foto e manda para Saul.
Notamos que algo está errado devido a importância que a direção do episódio dá a cena de Saul entrando nos correios, e saindo depois dela. É uma cena silenciosa, mas com uma trilha de suspense, então sabemos que algo ali não está bom. Quando Quinn abre o novo envelope e aos poucos vai escrevendo o nome da vítima que aparentemente estava “criptografado” em forma de algum código, vemos a palavra formada: MATHISON.
Carrie Mathison.

Junto com isso, surgem as seguintes perguntas:
- Saul quer realmente matar Carrie, ou está testando a confiança de Quinn sabendo que ele tem “sentimentos” por ela?
- Teria Saul, sabendo que Quinn não iria matar Carrie, colocado o nome dela na lista para que Quinn a protegesse das pessoas que querem mata-la?
- Será que Saul ao menos sabe o nome que estava no envelope? Não teria sido Alisson ou Dar Adal que mandaram os envelopes? (se eles souberem do esquema de matador de aluguel de Quinn, o que não ficou claro).
- Seria esse um plano de Saul para fazer Carrie voltar à CIA, fazendo ela buscar proteção na agência?

Junto com essa última pergunta me vem uma coceirinha na orelha: isso me cheira a terceira temporada tudo de novo. Isso me cheira a Saul sendo o todo-poderoso que articula um plano mirabolante e incoerente para salvar Carrie Mathison de seus próprios problemas (pra quem não lembra, na terceira temporada Saul forçou Carrie a executar um plano para alcançar Javadi, no qual ela teve que se “entregar” a uma clínica psicológica).
Tudo o que eu não queria era que Homeland voltasse a se repetir e reciclar plots. A série tem um leve histórico disso, e a ideia de Saul realmente virando seu lado da água pro vinho para a Carrie não me parece tão viável, mas no momento torço para que seja o caso. Se não, é repetição de novo!

Mas junto a isso, temos Carrie sendo perseguida, também, pela facção terrorista. Um dos funcionários de Hezbollah lhe diz que o plano, na verdade, não era matar Otto During, e sim ela. Ela era o alvo. E Carrie recebe essa notícia da pior forma possível: vendo o vídeo do rapaz sendo torturado por seis horas para dar tal confissão. Ele tinha mais medo da pessoa que quer matar Carrie do que de morrer sendo torturado. Então a coisa está feia para o lado de Carrie. Bem feia.

Homeland, então, transmite um dos seus melhores, tensos, pesados e coesos episódios até aqui. O roteiro foi todo fechado, nível de entretenimento altíssimo e a prisão de atenção do telespectador é inevitavelmente deliciosa. Que Homeland continue sua quinta temporada assim, da forma que começou: satisfazendo seus fãs, satisfazendo somente quem é um mero telespectador do show, e fazendo até pessoas que não gostam da série, torcerem o braço.

E você? Já tem algumas teorias sobre a temporada? Comente pra gente!

Observações:
- Percebam como Laura parece uma Carrie Mathison da primeira temporada. Vendo uma outra personagem na pele dela, vemos como Carrie podia ser irritante!
- Tá rolando uma tensão sexual entre Laura e Jonas, né? Sinto que vai haver uma separação entre ele e Carrie logo, logo.
- Ainda não entendi muito bem a importância dos hackers para o plot, digo, além de terem vazado os documentos. Tem coisa aí...
- Quem quer matar Carrie Mathison, afinal? E porque?



Promo do próximo episódio: S05E03 "Super Powers":

Yuri Hollanda

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