Crítica | Arquivo X - 10ª Temporada

Arquivo X retorna mais moderna, mas ainda com o clima dos anos 90


O receio toma conta do público quando é anunciado que qualquer série retornará. Ainda mais quando se trata de uma que terminou há quase 15 anos com um final planejado. A onda que começou com “24 Horas: Viva um novo dia” e “Heroes: Reborn” já se alastra por produções como “Fuller House”, “Gilmore Girls” e “Twin Peaks” que ganharam sinal verde para novas temporadas muito tempo depois de seus finales serem exibidos.


Arquivo X obteve êxito em voltar para as telas. A fórmula usada foi exatamente a mesma da década de 90, quando o seriado encontrava-se em seu auge. Nos seis episódios, encontramos todos os clássicos da série. A premiere e finale falando sobre conspirações alienígenas que dão continuidade à trama principal, casos inexplicáveis de fantasma e até os costumeiros capítulos em que a zoeira toma conta.

Outro tema constantemente explorado nos seis episódios do retorno foi o filho de Mulder (David Duchovny) e Scully (Gillian Anderson). Devido à periculosidade do emprego dos dois, eles decidiram por doar o bebê para adoção a fim de protegê-lo. Nenhum deles sabe o paradeiro da criança.

Todo esse clima original mantido trouxe o que a série tem de melhor e de pior. A trama principal proporcionou dois episódios muito bons, que prendem quem assiste durante os quarenta minutos. Os fillers também se mostraram divertidos e fizeram jus à fama da série.

Porém, o esquecimento da trama principal nesses fillers é irritante. Isso vem desde as nove temporadas originais. É mais do que comum em produções com 22 episódios, que inúmeros destes, ao longo da temporada, apresentem histórias independentes para que o plot principal se estenda até o finale daquele ano. 

Mas o que ocorre em Arquivo X é que essa trama, que para mim é o grande trunfo da série, só é abordada, basicamente, nas premieres e finales. O restante são episódios que são divertidos em sua maioria, mas que, de fato, só enchem linguiça. Isso não é um “defeito” do revival, e sim, da série. Além de não passar de um “problema” que diz respeito ao meu gosto.

"This is the end"?

A grande “polêmica” desse retorno é o cliffhanger do último episódio. Anunciada como uma série evento, teoricamente esse seria o final definitivo. Óbvio que com o grande buzz e os números satisfatórios da audiência, todos já se especulava que a série teria retornado para ficar no ar por mais alguns anos. Inclusive, o episódio estava sendo anunciado pela Fox como season finale (final de temporada) e não series finale (final da série). Após a exibição, David Duchovny falou em seu twitter que “a verdade está em hiato”, dando a entender que esse não foi o fim do caminho para Arquivo X.

Como o ocorrido com Heroes: Reborn, mesmo sem saber o destino da série, um pequeno gancho foi deixado. Com Arquivo X não houve um pequeno gancho. Tudo fica em aberto. É difícil que a produção tenha tomado a decisão de apresentar esse “final” tendo recebido um não da Fox para a produção de mais episódios.

É inegável o fato de que o revival de Arquivo X foi extremamente fiel à série original. Tanto que, sem ser pelo efeito do tempo nos atores e nas tecnologias utilizadas pelos agentes nas investigações, é como se o hiato entre a nona e a décima temporada tivesse sido mínimo.


Lucas Zeferino

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