Crítica | Demolidor - 2ª Temporada



(não contém spoilers)

Divergindo do plano inicial, a primeira série da Marvel em parceria com a Netflix retorna para sua segunda temporada um ano depois de a sua estreia, graças ao sucesso e barulho feito por fãs nas redes sociais. Demolidor foi de várias formas uma série inovadora para a Marvel, sendo a primeira vez que introduziram numa série um personagem já relativamente grande e conhecido para o grande publico. Ainda por cima é uma série com uma classificação indicativa muito superior ao que a Disney, dona da Marvel, costuma permitir, além de ser divulgada numa "emissora" puramente baseada em streaming. O resultado foi tanto que garantiu, como mencionado, a segunda temporada antes mesmo do grande e esperado crossover: "Defenders", uma espécie de "mini-vingadores", planejando juntar o personagem título e outras propriedades que também vão ganhar espaço no serviço de streaming: Jessica Jones (lançada em novembro de 2015), Luke Cage (planejada pra esse ano) e Punho de Ferro.

Sob novo comando dos showrunners: Doug Petrie e Marco Ramirez, a segunda temporada começa mais confiante de que agora pode seguir como uma adaptação de quadrinhos por já ter conquistado o publico geral. O elenco regular da temporada passada volta já na ativa e novos personagens se envolvem na trama, que com um roteiro muito mais rápido e que não menospreza a inteligência do publico, tenta alteraras todas as dinâmicas.  Nos 7 primeiros episódios, liberados para analise pela Netflix para analise, a adição com maior destaque é com certeza Frank Caslte, o Justiceiro, interpretado Jon Bernthal, conhecido por seu papel em The Walking Dead. Como o nome já diz o personagem é um justiceiro, assim como o Demolidor, que chega ao Hell's Kitchen com sua sede de sangue e não tem pena de matar qualquer um que ele julgue ser indigno, algo que bate de frente com a visão tanto humanitária como religiosa de Matt (Charlie Cox) trazendo um conflito que remete a "Guerra Civil" (algo que está pairando sob todas as produções atuais do estúdio) sobre as ações dos vigilantes na cidade, que começam a ser vistos com mais cautela pela polícia e pela população, mas a trama nunca chega a ficar rasa e mostra os dois lados da moeda, e faz isso com uma voracidade que tanto a primeira temporada como Jessica Jones não conseguiram replicar.

A segunda grande adição no elenco é a famosa Elektra Natchios, interpretada por Elodie Yung. A personagem também entra na história para por em dúvida todas as ideologias do protagonista, ao mesmo tempo que mantém um relacionamento definitivamente conturbado com Matt, algo que torna a vida dele como Demolidor e como Advogado bastante dificil. Karen (Deborah Ann Woll) e Foggy (Elden Henson) voltam para representar o "anjo" e o diabinho" nos ombros de Matt, ou seja, a temporada não consegue ser sutil ao abordar esse impasse que se apresenta tanto no interno dos personagens quanto na trama, afinal, como advogados os casos que Nelson e Murdock se envolvem passam a ter uma grande influencia nesse aspecto da dualidade. Esse lado jurídico da história é algo que passou a ganhar maior importância no núcleo principal, algo que foi pouco abordado no ano anterior e nesse vem sendo construído com várias tramas e de forma mais interessante.

Após abraçar o uniforme colorido no ultimo episódio da primeira temporada, igualmente, a ação passou a ganhar mais cores e passou a se assemelhar ao que se espera com base nos quadrinhos. É fácil notar que existe uma maior ousadia com os movimentos em lutas, as próprias técnicas parecem fazer parte da caracterização dos personagens. Mesmo com várias piruetas, essas coreografias mais elaboradas ficam no ponto certo, nunca parecem ter ido longe demais ou exagerado, algo que ocorre frequentemente com séries com muito foco em ação e que costumam perder qualquer identidade para impressionar. Ainda que mais animalescas isso não quer dizer que tenham abandonado o "falso realismo" que de certa maneira se tornou uma marca da série, o personagem ainda se cansa no meio de brigas e mostram bem as consequências delas no mental e fisico do personagem. Enfim, todos os estilos de lutas de diferente personagens são muito bem definidos, dá para tirar contexto e até um pouco de backstory da própria ação, que é filmada de maneira clara e dá para acompanhar tudo que ocorre em cena.

Concluindo, a temporada é uma das maiores empreitadas da Marvel, que não teve medo de sair da zona de conforto, não teve medo de crescer e também não tiveram medo de ir a fundo na alma e nas origens dos quadrinhos. E mesmo  não necessariamente seguindo tudo ao pé da letra, se permite, quando pro bem da trama, isso é o que mantém a Marvel sempre com um padrão decente na conceituação do seu universo e mesmo que essa Hells Kitchen pareça distante de todas as loucuras que se passam nos filmes do estudio, ela consegue ser tão sensacional quanto.

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