Resenha | Uma Longa Jornada para Casa


Título: Uma Longa Jornada para Casa
Título Original: A Long Way Home
Autor(a): Saroo Brierley
Editora:  Record
Ano: 2017
Páginas: 227
Sinopse: Aos 5 anos, Saroo pede ao irmão mais velho que o deixe acompanhá-lo à cidade onde ele passava os dias em busca de dinheiro e comida. Durante a viagem, o menino adormece. Ao despertar, confuso, se vê sozinho na estação de trem. Ele não sabe onde está o irmão, mas vê um trem parado. Imaginando que Guddu poderia estar lá dentro, Saroo embarca no vagão, e isso o faz atravessar a Índia. Sem saber ler nem escrever, e sem ideia do nome de sua cidade natal ou do próprio sobrenome, ele é obrigado a sobreviver sozinho nas ruas de Calcutá até ser levado para uma agência de adoção e ser escolhido por um casal australiano. Os anos se passam e, ainda que se sinta extremamente agradecido pela nova oportunidade que os Brierleys lhe proporcionaram, Saroo não esquece suas origens. Até que, com o advento do Google Earth, ele tem a oportunidade de procurar pela agulha no palheiro que costumava chamar de casa, e investiga nas imagens de satélite os marcos que poderia reconhecer do pouco que se lembra de sua cidade. Um dia, depois de muito tempo de procura, Saroo encontra o que buscava, mas o que acreditava ser o fim da jornada é apenas um novo começo.

Meu interesse por Um Longa Jornada para Casa surgiu por causa de Lion, concorrente ao Oscar de Melhor Filme. Ambos contam a história de Saroo Brierly. Aos cinco anos de idade, ele se perdeu do irmão em uma estação rodoviária na Índia e, após passar algum tempo vivendo na rua, foi para um abrigo de crianças perdidas até ser adotado por um casal da Austrália. Sem muitas lembranças concretas da localização de sua mãe biológica, o garoto cresceu em outro país e passou 25 anos longe de sua família de sangue.

Minha experiência com esta história foi contrária ao que costumo fazer. Neste caso, primeiro assisti ao filme. E confesso que isso aumentou meu interesse pela leitura. Por se tratarem de duas mídias diferentes, existem algumas diferenças entre longa e livro. Não vejo o filme como adaptação do livro, mas sim como uma outra forma de contar a história de Saroo, que é, de fato, a matéria prima de tudo isso. Um complementa o outro: no livro você tem mais detalhes sobre tudo o que ele passou, sim, mas o filme também teve alguns enfoques diferentes (como o relacionamento de Saroo), por se tratar de um roteiro de um filme de duas horas.

O livro foi escrito pelo próprio Saroo e ele entrega uma narrativa tranquila, de leitura rápida, leve e sem muitos empecilhos. Parece uma conversa. Ele está simplesmente contando sua história. É interessante ler tudo do ponto de vista dele, contando as suas memórias daquela época, porém com a mentalidade de um adulto e vê-lo discorrer sobre coisas que ele, aos cinco anos de idade, não entendia.

Toda a história de Saroo é bastante dramática, porém, ao contá-la, ele não demonstra intenção nenhuma de querer fazer o leitor chorar ou se emocionar. Ele foi uma criança que se perdeu do irmão, passou fome na rua e ficou por muito tempo sem saber sua origem. Ele conta tudo isso, mas não é apelativo.

Leitura interessante, que, como falei, provavelmente não teria realizado se não tivesse visto o filme. No meu caso, conhecer a história primeiro pelo longa não atrapalhou a leitura. O livro pode agradar tanto àqueles que querem conhecer a jornada de Saroo, e também àqueles que se encantaram pelo filme e ficaram curiosos por mais detalhes. 

Lucas Zeferino

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