Crítica | 13 Reasons Why


Produção original da Netflix, 13 Reasons Why conta a história de Hannah Baker e como ela decidiu dar fim a própria vida. Antes de cometer suicídio, a garota grava os porquês de ter tomado a decisão em 7 fitas (14 lados, sendo o último vazio) que detalham os sentimentos e vivências da jovem. Cada motivo, que na verdade é uma pessoa, recebe as fitas e deve ouvir todas para, em seguida, passar para o próximo. A partir do momento que alguém interromper o ciclo, uma terceira pessoa que tem a cópia das gravações irá tornar público o conteúdo delas.

Adaptação da obra de Jay Asher, no Brasil, Os 13 porquês (confira  a nossa resenha), chega a ser até difícil não fazer uma comparação entre ambos. No livro, a história é contada por Clay Jensen e mostra, em paralelo ao ponto de vista dele, os fatos sendo contados nas fitas por Hannah. Já a série traz, além do conteúdo das fitas, a realidade dos outros personagens. A cada episódio é possível ver a repercussão que aqueles segredos acabam gerando na vida de cada um que compõe a lista de porquês. Em alguns momentos existem ações que aparecem com frequência. Alguns consideram repetição, mas enxergo nesses instantes o quanto o conteúdo das fitas pode afetar e impactar alguém.

Quando li o livro não lembro de ter imaginado a possibilidade de uma adaptação tão completa. O roteiro é muito bem estruturado e os produtores souberam aproveitar com excelência outros pontos da história que poderiam ser explorados. Como toda boa adaptação existem as modificações necessárias para interligar os fatos e, nessa busca, foi possível mostrar a história por trás das atitudes de muitos personagens. Esse - de longe - foi o diferencial da produção: apresentar a realidade por trás dos demais envolvidos e abordar a repercussão que aquilo teve na vida deles.

Além do tema central abordado, que é o suicídio, a série também coloca em questão outros debates importantes, como o abuso - sexual, psicológico e físico, o consumo de bebidas alcoólicas e drogas, sexualidade e comportamento adolescente. A seriedade dos assuntos e o tipo de situação que os personagens estão inseridos nem parecem dramas adolescentes. As circunstâncias os colocam, em muitos momentos, na postura de adultos. Além disso, não houve medo de ousar ou abordar. Não teve preocupação de deixar uma cena de lado por ela ser forte. Ao mesmo tempo que ela vai ter o poder de chocar, ela também vai estar representando com afinco uma situação.

Outro ponto importante que podemos destacar é a trilha sonora. As músicas escolhidas foram cruciais para não deixar a série com uma atmosfera pesada. Apesar da força dos temas abordados e da seriedade que devem ser levados os fatos, as músicas, de certa forma, foram colocadas de maneira a confortar um pouco o espectador e a não deixar que o peso da história fizesse com que ele abandonasse a série.



Milena Coutinho

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